quarta-feira, 24 de julho de 2019

O capitulo um da revolução brasileira mal terminou...

O coração da tragédia destes anos que vivemos reside precisamente no fato de que o consórcio de frações e grupos burgueses, nacionais e estrangeiros, aproveitando uma janela de oportunidade e o efeito da desaceleração provocada pelo efeito da crise mundial que, finalmente, chegava ao Brasil, decidiu e percebeu que não mais precisava manter um pacto de convivência com a conciliação.
Percebeu que os oprimidos não apenas perdiam capacidade e estrutura de organização, como a insatisfação que começou a nutrir, produto de um crescimento econômico que não se convertia em benefícios para as camadas trabalhadoras, a não ser através de créditos relativamente baixos e pequenas concessões de benefícios assistenciais, proporcionalmente a acumulação de capital nas mãos do empresariado e dos bancos.
A explosão de junho de 2013 pegou de surpresa mas fez com que o "cérebro" burguês entendesse que chegava o momento da readaptação e uma oportunidade de maior acumulação. E que para isto seria necessário lançar mão de ações de força, ou seja, retomar a tradição da burguesia e dos políticos golpistas brasileiros de maneira aberta e agressiva.
Em última análise, forçar e bancar, social, política e, principalmente, repressivamente, o abismo social que hoje indiscutivelmente separa os interesses e modos de vida dos capitalistas e seus lacaios, de um lado, e a enorme maioria do povo trabalhador e pobre, de outro.
Esta tragédia, concretizada com a traição das organizações como PT e PCdoB que usam uma "aura de esquerda" abstrata apenas para lavar a própria cara diante das traições e manter qualquer alternativa de esquerda e radical travada, impossibilitada de surgir e ganhar influência entre a maioria dos trabalhadores.
Hoje, o papel mais relevante e decisivo de PT e PCdoB é o de impedir, seja elo teatro parlamentar e as traições no sindicato, seja pela política de "se fingir de morto" no cotidiano e na organização das lutas, é o de impedir a radicalização e organização dos trabalhadores contra o centro de sua exploração: os grandes, bancos, grandes empresários e seus gerentes no congresso. Nem sequer esta impressão se constrói.
O povo segue achando que o problema "são os políticos", quando o que se trata é uma guerra entre classe de pessoas e não funções: Grandes latifundiários e magnatas usando a máquina do Estado pra extrair MAIS riqueza, sem contrapartida, do bolso do trabalhador com cortes de direitos, demissões, reforma da previdência e reforma trabalhista.
Não se faz, é claro, porque hoje, estes além de estarem comprometidos com nada mais além de administrar este país capitalista, de maneira capitalista e, assim, beneficiar os capitalistas e administrar a miséria, também ajudaram a criar a idéia de que neste mundo cibernetizado e da pós-modernidade, nem se pode sonhar em um outro tipo de sociedade, uma outra forma de organizar a economia, as relações, o estado, de maneira coletivista, socialista, revolucionária. Este sonho foi arrancado desta geração dos 80 para lá.
Nossa geração sofre uma derrota histórica com a ofensiva autoritária bonapartista, que destrói os mecanismos de proteção social, como as leis trabalhistas e a previdência, destrói a capacidade de trabalho minimamente decente, com a lei de terceirização irrestrita e destrói o futuro desenvolvimento do país com as privatizações e entregas de recursos estratégicos nacionais e com a lei d drogas, com os 700 mil presos e mais de 67 mil mortos por ano, numa política de genocídio e extermínio dos negros e trabalhadores.
Toda esta derrota, cujas bases foram assentadas em 1979, quando a geração em luta não conseguiu avançar, por responsabilidade de suas direções políticas, e teve de estabelecer um pacto com os mesmos torturadores, políticos da ditadura, empresas financiadoras da ditadura, figurões políticos e territoriais da ditadura, concretizado na Lei da anistia e nesta democracia tutelada, onde pode tudo, desde que o Milico não se incomode, está acompanhada de outra grande transformação histórica.
Nossa geração entra na próxima fase de reestruturação produtiva, ou seja, de transformação nas relações de trabalho, agravadas pelo desenvolvimento tecnológico, a informatização, automação, terceirização irrestrita e uberização do trabalho.
Esta bomba histórica e social coloca diante desta geração e as próximas nos anos que estão por vir um desafio histórico sem precedentes tanto do ponto de vista da organização dos oprimidos para a luta contra a exploração, quanto para a reflexão e percepção precisa de de qual maneira o desenvolvimento da Inteligência Artificial pode golpear a força do trabalho contra o Capital.
Isto implica que, talvez, passemos por um tempo relativamente prolongado de lutas espontâneas, erupções sem direção e por esgotamento até que os revolucionários que passarem por esrte processo de "seleção natural" de quadros, começarão a tratar de dar forma consciente e organizada ao movimenbtos destes trabalhadiores terceirizados, intermitentes, uberizados.
Construir as futuras, comissões, sindicatos, associações, combativas e independentes em relação ao estado e o patrão talvez seja a tarefa que nos próximos 5 ou mais anos deverão, por força dos acontecimentos da vida, levar a frente os verdadeiros revolucionários e trabalhadores conscientes.
Isto pode, numa perspectiva de uma década ou mais, e provavelmente deve ser a única forma a partir da qual poderá surgir uma alternativa política, um partido realmente fundido, presente, pertencente e construído pelos trabalhadores brasileiros, capaz de se colocar perspectivas e uma estratégia de transformação social, contra-ofensiva contra o capital e tomada do poder.
No futuro livro da, possível e desejável, ainda que trabalhosa e tortuosa, Revolução Brasileira, junho de 2013 será marcado como o Capitulo Um. E eu arrisco dizer que ainda nem viramos a página para o próximo.
Uma grande obra há a frente. Ver claro na escuridão é a melhor maneira de superar a angústia do trajeto.
Avante.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Aprovada a reforma da previdência na câmara; quais lições um trabalhador tem de tirar?

O nível de desinformação construído pela mídia corporativa burguesa é absurdo. Esta reforma tira 90% do "economizado" de quem recebe até 2 mil reais, ou seja, da CLASSE TRABALHADORA no RGPS, regime geral. Essa reforma na prática INVIABILIZA a aposentadoria para a maioria dos trabalhadores.
Ela exige 40 anos de contribuição para se receber algo próximo de 100% da média dos salários. Os poucos que conseguirem se aposentar hoje terão, além de esperar até 65 anos, uma idade altissima, que em alguns lugares é maior que a expectativa de vida, contribuir PELO MENOS 20 anos de carteira registrada, recebendo, neste caso apenas 60% dos salários.

Isso num país com 14 milhões de desempregados, terceirização irrestrita, rotatividade do trabalho e em que METADE da força de trabalho é informal, ou seja, não tem carteira assinada e nem contribui para a previdência.

Nos privilégios dos ricos, judiciário, legislativo, militares, não se mexeu em NADA.
As grandes empresas devem 500 BILHÕES de reais para a previdência. Sabe como? Não pagando as contribuições patronais e ROUBANDO o dinheiro que seus empregados achavam que estava indo para o INSS mas que eles não repassavam. Este montante não foi cobrado e nem será.

Brasil, que junto da Estonia é o único país em que não existe imposto sob lucros e dividendos, ou seja, para RICOS e MAGNATAS empresariais, não haverá nem nunca houve desde antes da ditadura civil-militar reforma tributária.
Não haverá aumento de imposto sob herança, fim de isenção fiscal pra empresa e latifundiário, aumento de imposto sob grandes fortunas, limitação de remessa de lucros pro exterior, IMPOSTO PARA A RENDA DO PATRÃO, que são lucros e dividendos - que hoje paga 0%!! !-.

Por aqui rumamos para voltar mais rapidamente a ser uma colônia de miseráveis, com uma elite burguesa isolada numa torre de marfim, mantida com o genocídio dos pobres e pretos, através da mentira chamada "guerra as drogas" que só serve pra colocar a Polícia para prender e jogar num buraco milhões de negros e pobres, como tática de controle social através do terror e medo, como forma de manter os privilégios da classe dominante salvaguardada da revolta popular.

Isso sem falar em toda a economia gerada pra transferir o que sobrar da previdência para pagar os juros da divida pública devido aos bancos...pegando MAIS EMPRÉSTIMOS com os mesmos bancos...

O Brasil é um paraíso fiscal de bancos, empresários, latifundiários, burgueses do comércio , mantidos por um Estado policial ( tão eficiente em "servir e proteger" que prende centenas de milhares com rondas ostensivas por pouquíssimas quantidades de droga mas não chega a investigar nem 8% dos assassinatos do país), que usa o pretexto da guerra as droga para exterminar e manter controlada uma população pobre e trabalhadora que vive no limite da fome, da miséria, do desemprego e da revolta.
Essa democracia só é democracia para os ricos. Para a maioria do povo é ditadura e medo da fome e da morte.

Nossa ÚNICA saída é a revolta e um governo que seja a antítese deste sistema. Um governo dos trabalhadores, exercido diretamente por eles, em que todos cargos públicos sejam revogáveis e elegíveis e não recebam mais de um salário mínimo vital. Em que tudo o que é produzido e como é seja planejado e guiado pelas NECESSIDADES das pessoas trabalhadoras e não pela expectativa de lucro de uma minoria de patrões que vivem de enganar o povo.

Para chegar a isto, só através de uma verdadeira revolução, que derrube e destrua este sistema político, jurídico e legislativo, ou seja, este Estado e construa um novo, pelas mãos de cada um de nós trabalhadores atuando diretamente na política. Consciência e organização devem ser construídos com toda a força neste momento.

Esta é a lição que cada trabalhador deve tirar da aprovação desta reforma - fora a trabalhista e os demais ataques- por um sistema político burguês que obriga os trabalhadores a trabalharem até morrer
para enriquecer seus já tão fartos bolsos!

domingo, 30 de junho de 2019

Sobre as novas demissões no Metrô de SP e a política da diretoria do Sindicato


Já faz um ano e meio que estou demitido. Se se tratasse só de mim, apesar de difícil, seria menos grave. Mas são dezenas de Metroviários em SP demitidos desde 2017/2018 até hoje. Conheço alguns deles. Fomos demitidos numa onda de DEMISSÕES que já dura 2 anos e que o metrô quase nunca realizou no passado. Tinha até uma piada que pra "ser demitido do metrô tinha de se esforçar".

Bem, atualmente eles demitem por "baixa produtividade", ou seja, usando avaliações unilaterais de desempenho que a chefia usa, na pratica, pra impedir que trabalhadores façam concursos internos e pra perseguir política e pessoalmente. Hoje as coisas estão diferentes.

Ano passado escrevi diversos textos, relatos, polêmicas e até um escrito mais e fôlego propondo uma reflexão a todos grupos políticos (PSOL, MRT, PSTU, PCB, etc) na categoria sobre como o lema vindo da luta que TODOS DEMOS de 2014, "Ninguém fixa pra trás", não podia ser um chavão, mas que deveria ser um princípio e que, também possuía um profundo caráter estratégico prós trabalhadores no metrô e na cidade. Todos, por um ano e meio ignorados.

Enquanto alguns diretores faziam festa diante da readmissão (merecida, legítima e tardia) dos demitidos de 2014, estávamos sendo demitidos a dezenas e sem sequer ser respondidos. Ficamos pra trás.
80 é o último número que tive notícia em 2017/2018. Não é exagerado mencionar que todas estas demissões foram tratadas pela diretoria como casos individualizados, passíveis apenas de recursos administrativos e, no limite, de entrar na justiça burguesa, que, sabemos, muitas vezes não beneficia o trabalhador.

Não houve assembleia, não houve denúncia, não houve manifestação, não houve campanha, não houve nem sequer tentativa de organizar quem estava demitido pra tentar formar uma luta. Eu e todos demitidos sequer tivemos direito ao seguro desemprego e nosso sindicato não falou nada!

Do ponto de vista jurídico, a equipe de advogados do setor jurídico do sindicato é extremamente abnegada e disposta e deles só posso falar bem. Mas a diretoria política, eleita pela categoria, são outros 500 e, por isto, a cobrança é diferente.

Após dois anos em que a empresa do metrô usa de demissões baseadas em avaliações ilegítimas e feitas pra perseguir, retornam as demissões após a greve do 14 J, demissões contra as quais temos de lutar, é claro!

Todas elas, afinal, cumprem o papel de colocar os trabalhadores na defensiva, aterrorizar, enfraquecer e avançar com o plano da ala raivosa de Doria: privatizar o sistema metroviário e tornar um espaço para seus amigos lucrarem.

Contraditoriamente, a diretoria do sindicato, que não apenas não atuou verdadeiramente pra defender na ação política os demitidos até agora, hoje, diante da inescapável crise das novas demissões, divide estas demissões entre políticas e "não políticas", na prática dizendo que todas as realizadas antes, em 2018/2017, seriam baseadas em critérios legítimos, ainda que fossem injustas. Mas não são legítimos, são apenas uma forma de perseguição maquiada para o mesmo objetivo.

E a inação diante das demissões passadas mandou um recado e o Metrô concluiu: se demitir a conta gotas, com critérios pouco claros, é uma forma possível que não encontra resistência, então é possível seguir demitindo e avançar mais rápido na privatização.
A luta não dada desde 2017 cobra seus preços até hoje e explica a ofensiva da gestão Doria e das demissões, privatizações de bilheteria, etc.
É por isto que lutar pelos demitidos é, além de um princípio, uma questão estratégica para que a categoria siga lutando e, assim, resistindo e ajudando o conjunto da classe em suas manifestações e lutas mais amplas contra as reformas.
Uma derrota total dos metroviários (privatização e demissões) impacta e impactaria mais o conjunto dos trabalhadores de São Paulo.

Disso só se conclui que, diante das atuais demissões de 2019, não é possível seguir errando.
E pior. Se foi grave não realizar nenhuma ação política organizada em defesa dos demitidos de 2018/2017 (nem tentar organiza-los pra pensar ações), se se confirma que a diretoria pretende dividir entre "demissões políticas" as de 2019 e "não políticas" as anteriores, seremos, então, abandonados UMA SEGUNDA VEZ e pode-se dizer que traídos nessa defesa de um princípio fundamental (e do sustento dos demitidos em geral).

Eu, particularmente, fui demitido dois dias antes da greve de janeiro de 2018. Outros alguns dias depois.
Fui descobrir qual a justificativa de demissão da empresa, não no dia, mas 8 meses depois que eu entrei com o processo, mostrando que demitiram a mim e a tantos sem nenhuma justificativa e, depois, tentaram inventar alguma história pra dar base. Sigo lutando na justiça.

Mas o nosso terreno é o da luta direta da categoria, com nossa força unificada. É daí que vem nossas forças, como tantas greves jah mostraram.
Abrir mão disto e preferir ações jurídicas e conversas com o secretario do Doria é, novamente, o caminho da derrota.
É é por isso que não posso, como demitido, me calar diante das ações da diretoria. Dividir as demissões torna, inclusive, mais difícil lutar para reverter as demissões de 2019 agora.

Pelo fim das avaliações de desempenho e pela readmissão de TODOS metroviários demitidos de 2018 e 2019 que querem voltar e lutar por isto na justiça, sem separação entre "tipos de demissão"!
Por uma mobilização real e com diversas ações por isto!

Estas são as únicas bandeiras que podem nos fazer vencer e mandar um recado claro a chefia da empresa. Este é o marco zero de qualquer luta.

Porque quem vai lutar políticamente com o sindicato se perceber que, se demitido, não vai ser, políticamente, defendido?

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Debate com Jones Manoel: sobre a Coréia do norte e confusões intencionais.



Recentemente nos deparamos, através do site da Editora Boitempo, com um texto - ou mais corretamente, uma apologia - em defesa do regime e estado de coisas vigentes na Republica Popular da Coréia, mais conhecida em terras ocidentais como Coréia do Norte.

Tal apresentação do esforço de Jones Manoel, youtuber e militante do PCB, pode soar polêmica e, com justiça, no decorrer do debate proposto por estas linhas, esperamos que seja, de fato, assim encarada.

Entre numerosas citações pirotécnicas, com o objetivo de dotar de credibilidade sua análise e um debate moral a frente no início, colocando em segundo plano a análise marxista das relações de produção, políticas e sociais existentes na República da Coréia, Jones resulta num stalinismo revisitado e condescendente com todas as contradições desta nação complexa e distante para a análise dos trabalhadores e revolucionários brasileiros.
 
Salta aos olhos a dedicação com que Jones, tecendo sua narrativa e conduzindo o leitor ao erro, tenta estabelecer a crítica tanto as pessoas em geral, como a esquerda em particular, utilizando uma linha acessória, moral e política, para isto.

Para o autor, o problema da visão dos marxistas brasileiros (e, mais amplamente, ocidentais) é que ela é deturpada e conduzida pelos, evidentemente influentes, monopólios midiáticos, que não apenas moldariam nossa desinformação sobre a Coréia do Norte como nos levariam ao “desencanto infantil” a partir do surgimento das primeiras dificuldades dos povos em “erguer sua libertação”.

Praticamente um terço de seu texto é gasto em citações, dados e cifras que, se esquivando as questões fundamentais, relatam não apenas o abandono moral, o desencanto de uma esquerda que não valorizaria a luta “nacional e anticolonial”, como a situação de dominação  a que as pessoas em geral e os marxistas ocidentais em particular, estão sujeitos diante do controle do fluxo de informações exercido por 3 monopólios midiáticos dos EUA, Inglaterra e França.

Estabelecida sua base argumentativa (e, de certo modo, sua visão de que seus leitores seriam no melhor dos casos desinformados e, no pior, idiotas preguiçosos) Jones segue para a definição das condições de vida na Coréia do Norte.
Que o mercado de informações internacional, é monopolizado por estas quatro agências citadas (Associated Press, FrancePress, Reuters), não é nenhuma novidade.
No Brasil, a compreensão dos efeitos deletérios deste tipo de monopólio, em época em que a “pós-verdade” é uma arma política de massas na construção de falsas narrativas através de redes sociais, tem aumentado.
Além dos meios alternativos de fake News, os meios clássicos da burguesia Brasileira, como Globo, Estadão e Folha continuam firmes e moldam notícias ao sabor dos interesses burgueses aos quais se associam.

É, portanto, um fato que a República Popular da Coréia sofre uma campanha de desmoralização, demonização, falsificação enorme, como sempre foi o caso de toda e qualquer experiência revolucionária nos 170 anos de luta dos trabalhadores contra o capitalismo.
Certamente não é apenas (e prestemos atenção nesta palavra) por esta via que um trabalhador consciente e crítico e, mais ainda, um marxista revolucionário, vai buscar suas informações e, principalmente formar seu juízo.

Todavia, localizar a ojeriza de amplos setores populares e de uma maioria entre os marxistas revolucionários a uma entrega acrítica as informações dos monopólios ou a um suposto ocidentalismo abstrato que não reconhece as “particularidades” coreanas é de uma superficialidade e prepotência exageradas.

Em sua argumentação o aspecto histórico da formação do Estado da república coreana, os traços econômicos e a análise das relações de produção - o ABC para um marxista - são ignorados por Jones.
Resta apenas a apologia e o apelo a comoção diante dos dados sobre os, evidentemente, criminosos danos realizados pelo Imperialismo dos EUA, através do bloqueio econômico atual ou da guerra no passado.

Desse modo, é preciso dizer que existem, sim, opiniões embasadas, econômica, política e ideologicamente, por parte de marxistas, sobre o processo da Coréia e do que chamamos de Estados Operários Deformados.

Onde está e o que é a Coréia, afinal?

A República Popular da Coréia é um país isolado.
Esta é uma verdade incontornável que impõe, deste modo, uma cautela necessária para definições..

Se por um lado a campanha de desinformações possui seu peso específico e importante na construção de uma Coréia caricaturada e hostil, características próprias de sua formação política e ideologia exercem um papel importante neste isolamento.

A Coréia de 1910 até 1945 era parte, anexada, do império japonês. Apenas após o fim da segunda guerra mundial, com a derrota japonesa através da heróica luta do povo coreano, é que surgiria o que hoje conhecemos como a Coréia do Norte.

Num processo muito parecido, no entanto, com o ocorrido no Leste europeu (com a ocupação e expropriação das burguesias pelo exército vermelho da URSS em países como Estônia, Letônia e Lituânia) ou mesmo na Alemanha (com a divisão entre Berlim oriental e ocidental), após tentativas de reunificação terem falhado (mas terem seguido por décadas mesmo após a guerra), em 1948 a península Coreana foi "dividida" entre os EUA e a URSS, durante a guerra fria.

Um guerrilheiro chamado  Kim IL Sung, com o apoio logístico e militar soviético e chinês, a frente da luta contra o sanguinário ditador imposto pelos EUA na Coreia do sul, Syngmann Ree, foi lançado ao poder. 

Em 1950, após uma invasão do Norte diante da pressão das tropas dos EUA, maquiadas de tropas da ONU, estacionadas no sul, tem início a guerra da Coréia, um enorme conflito que só chegou a um impasse após a entrada das tropas chinesas em apoio ao norte, o que, por sua vez, levou a um armistício em 53, mas nunca a uma assinatura de fim da guerra.

O resultado deste processo, cujos pormenores não são nosso objetivo expor, foram, de fato, a eliminação de cerca de 30% da população, bombardeios, destruição de terras e fábricas e um bloqueio econômico feroz por parte dos EUA e das potencias capitalistas.

Por outro lado, no norte, a antiga burguesia foi expropriada, as fábricas, terras e meios de produção em geral foram estatizados e se estabeleceu um governo do Partido dos trabalhadores coreanos, o qual, até hoje, monopoliza o controle da “Frente democrática para a reconstrução da pátria”, com mais dois partidos. Toda representação política só pode se dar por esta frente.

A partir de 1955 o autoproclamado “líder supremo”, terminologia bastante comum aos autocratas dotados do beneplácito stalinista, começa a desenvolver a chamada “ideologia Juche” que em 1977, oficialmente, substitui o marxismo, sob todos os pontos de vista e, principalmente, o simbólico.
Saem quaisquer referências visuais ou intelectuais a Marx e Lênin – e até mesmo ao patrocinador, Stalin -, entra o culto a Kim Il Sung e sua família.

Isto inaugura o culto a personalidade – outra excrecência antimarxista inspirada no Stalinismo - que dura até hoje, baseado na doutrina da adoração aos líderes e em sua infalibilidade, ensinado como doutrina escolar desde a infância.
O Juche, como ideologia, por outro lado, se define como, literalmente, “autossuficiência” e, sendo assim, professa pela autossuficiência econômica e bélica, num país montanhoso em que apenas 15% das terras são fertéis (e ainda conta com um feroz bloqueio imperialista) para alimentar seus 26 milhões de cidadãos. Somado a ele, a ideologia “Songun” é imposta pelo filho do ditador original e define que “os militares vem antes de tudo”, estabelecendo as prioridades do regime.

Após o fim da URSS, em 91, a Coréia do Norte, num processo parecido com Cuba, sofre com os mesmos males sofridos pelas nações na esfera de influência – principalmente, econômica - da URSS, passando por uma grave crise de produção (vide sua dependência total da indústria e materiais da URSS) e apostando no fortalecimento do culto a personalidade e das forças militares como via de tentar manter o regime político de pé.

No início dos anos 2000 se inicia a implementação de medidas de economia de mercado (capitalistas) entre as duas Coréias para a criação das Zonas Econômicas especiais de Kaesong, Kumgang-San,Rajin e Shinuiju, próximas da zona militarizada de fronteira¹, divididas entre áreas de turismo e de produção industrial, onde estão mais de 124 empresas sul coreanas e 50 mil trabalhadores norte coreanos trabalham entregando seus salários ao Estado e recebendo uma fração minoritária deste².
 
Diante de tal explicação histórica e das principais definições sobre de onde vem e como se define a Coréia do norte, temos muito mais elementos pra definir o que é a República Popular.

Trotsky, o dirigente mais destacado da revolução russa ao lado de Lênin, dedicou especial atenção a deformação burocrática da URSS nos anos 30 em vários artigos e sua grande obra “a Revolução Traída” e, posteriormente, foi seguido por marxistas do pós guerra que aprofundaram suas análises sobre os processo de formação dos Estados Operários deformados decorrentes das ocupações do pós segunda guerra.

Para os marxistas, a definição do caráter de classe de um estado se dá de maneira científica, principalmente levando em conta um critério amplo: Como se produzem os produtos – e as riquezas - nesta sociedade? Ou seja, quais são as relações de produção deste estado?

Sob o capitalismo, nunca é redundante dizer, a anarquia domina a economia; tudo e todas as quantidades do que é produzido não vêm de um plano baseado nas necessidades das pessoas, mas no desejo de cada grande capitalista em aumentar seu lucro. Da mesma forma, no capitalismo, a classe dominante é a dos donos dos meios de produção, que com a força do SEU estado, controlam as terras, fábricas, ferramentas, matérias primas e obrigam a enorme maioria do povo, sem qualquer meiod e produção, a trabalhar vendendo sua força de trabalho.

Um Estado operário, então, para os marxistas e, claro, como consequência direta das posições do próprio Marx, é a antítese, o extremo oposto a este estado capitalista, que nada mais é do que uma cobertura, cujo objetivo é defender e articular os negócios dos grandes bancos, industriais e latifundiários.

Para eles, um Estado operário se define como aquele em que a propriedade é coletivizada, ou seja, a burguesia foi expropriada; em que a economia é planificada democraticamente pelos produtores segundo suas necessidades; em que o comércio exterior é monopolizado pelo Estado, ou seja, a economia do país não é refém das peripécias das grandes corporações. Estas são as bases econômicas de um estado de transição para o socialismo.

Tais idéias, para alguns membros da esquerda, podem parecer antiquadas, mas da ciência econômica não há escapatória.
As decisões econômicas são, apesar de ideólogos burgueses tentarem maquiar, políticas e seus efeitos também.
Um estado que não possui estas características não inicia a construção do socialismo, não porque não se queira, mas porque não existem condições econômicas para tal.

Esta é a via para suprir o Estado dos operários, construído pela revolução, do capital necessário para a industrialização e, assim, para criar a abundância, ou seja, o avanço das forças produtivas para deixar de produzir para o lucro e passar a produzir para garantir a necessidade das pessoas.
Fora destes critérios, fora da busca pela abundância e da libertação da necessidade imposta pela economia capitalista, ainda domina o mesmo mercado capitalista, a anarquia econômica, a divisão de classes entre donos dos meios e despojados dos meios de produção, patrões e operários, em essência, dominam os grandes magnatas da burguesia.

Diferentemente da própria Rússia, China e das nações do leste europeu, onde a restauração capitalista já ocorreu e o que existe é de um lado um Capitalismo de Estado feroz e de outro repúblicas liberais capitalistas semidemocráticas, felizmente, o caso da República Popular da Coréia não parece estar resolvido.

A Coréia do Norte, fruto da imposição das bases econômicas socialistas “por cima”, via apoio soviético e não como um processo que foi construído desde baixo, pelos trabalhadores organizados democraticamente, como foi o caso clássico da revolução Russa, é um Estado Operário Deformado, em que, apesar de ter se dado a expropriação da Burguesia e seguir com a maior parte do comércio monopolizado pelo Estado, nunca viu uma verdadeira planificação democrática da economia.
Pelo contrário, são notáveis os relatos, de direita e esquerda, de observadores presenciais de ambos os campos, sobre as inspeções que a burocracia do Partido dos trabalhadores da Coréia realiza nos campos e fábricas e que, de uma hora pra outra, reorganizam a produção segundos os interesses dos funcionários de alto escalão, sem qualquer meio de controle e participação dos trabalhadores nestas decisões.
Kim Jon Un, aliás, é conhecido por realizar estes giros bruscos, destinando, recentemente, milhares de trabalhadores para construir um complexo turístico de esqui, posteriormente paralisado, visto a falta de procura de turistas...

Também é comum, nestes relatos, a existência do que Jones chama, de maneira condescendente como “privilégios burocráticos”, que vão desde as viagens internacionais, até acesso a restaurantes, alimentação abundante, carros e resorts de luxo, pelos funcionários do governo, oficiais do exército e do alto escalão, demonstrando que, longe de serem “menores privilégios”, a economia da Coréia é monopolizada por uma casta burocrática que se ergue acima dos trabalhadores, gozando de direitos pagos com seu trabalho e que ela mesma veta a estes.

Mas e a política? A confusão intencional entre Regime Político e Estado

Jones parece não conseguir resistir a um traço particular de personalidade argumentativa. Sempre tenta antecipar os argumentos de seus opositores cometendo um “sincericídio”. É o caso de quando diz que “
O leitor pode pensar que estou falando das conquistas sociais mas ocultando a dimensão política do país”.

Após passar boa parte de seu tópico em que deveria definir a Coréia do Norte  (sem no entanto abordar em nenhuma linha suas condições econômicas e relações de produção, como se se tratassem de obviedades) exaltando conquistas sociais, Jones faz uma definição rigorosamente precisa do que está fazendo.

Algo claramente confirmado nas linhas seguintes, quando expõe de passagem e acriticamente a ideologia Juche, menciona um autor para argumentar que as instituições Norte-coreanas são republicanas, que por conta do bloqueio sofrem uma mentalidade de “bunker” e, por fim, rechaça, tão preguiçosamente quanto os que critica, quem define o regime político como um tipo de Stalinismo burocrático, negando inclusive o irrefutável culto a personalidade na Coréia.

Para fechar com chave de ouro, Jones invoca a Esfinge indecifrável que para os menos críticos pode servir de cala boca, sobre as particularidades da fusão do “confucionismo, cultura asiática e marxismo”, como escudo contra as vozes divergentes.
O fato é que no regime político da Coréia do Norte o fazer político é monopolizado por uma única frente – a “Frente democrática para a reconstrução da pátria” – e dentro dela pelo PTC.
 
As eleições existentes ocorrem a cada 5 anos e elegem a chamada “Assembléia Popular Soberana”, que se reúne apenas duas vezes ao ano e delega todas as prerrogativas do Legislativo e executivo – fundidos no país – a um Presidium.
Este, no entanto, muito mais reduzido e controlado pela alta cúpula da frente mencionada é votado indiretamente, ou seja, não pelo povo mas pela Assembléia e é o responsável por toda a tomada de decisões, a exceção dos dois dias por ano em que se reúne a assembleia.

De outro lado, o cargo mais importante, de fato, é o de Presidente da Comissão da defesa nacional da Coréia do Norte, cargo criado por Kim Jong IL em 1993 e ocupado por ele mesmo desde então até sua morte, quando foi “eleito” seu filho Kim Jon Um, o atual chefe supremo das forças militares do país e o detentor de todo o poder, de fato.

Sabemos que as formas políticas podem e, usualmente, servem aos interesses dos grupos dominantes. É por isto que não basta a análise formal, para os marxistas, mas a essência de seu funcionamento, os interesses de classe e de casta envolvidos em seu desenvolvimento.

É por isto, também, que deveria causar espanto que um intelectual que tem influência no debate da esquerda, nas redes sociais e se propõe a polêmica, trate o assunto neste nível de superficialidade e, pior, chegue a extremos como dizer que Ditadores sanguinários de países que nunca nem sequer chegaram próximos de iniciar a construção do socialismo, como Khadafi da Líbia, seriam “ditadores”, com aspas e tudo.

A forma política do regime Coreano é uma casca que busca erigir legitimidade para um regime, sim, ditatorial de partido único, em que existe censura, em que visitantes estrangeiros devem ser acompanhados o tempo todo e só ver o que foi cuidadosamente preparado para verem, onde vigora o monopólio do poder decisório por uma casta social, em que o líder supremo emana um culto a própria personalidade e define unilateralmente os rumos da nação, tudo isto dentro de um estado operário deformado, em que há planificação da economia, mas nunca existiu democracia operária, nunca existiu planificação democrática do que se produzir pelos trabalhadores e em que esta casta usufrui de privilégios pagos com o trabalho das massas.

Jones faz uma confusão consciente entre o que é um Regime Político e o que é um Estado,
para, assim, coagir o leitor a um beco sem saída: Ou apoia os dois ou não apoia nenhum!

Esse tipo de manobra, essa sim, preguiçosa, no entanto, não é nova e daqui há alguns anos fará 100 anos.
E ela não tem outro nome que não seja Stalinismo, ou seja, uma maneira de pensar condescendente com as burocracias, que pensa o Estado em oposição e até “apesar” das massas, contanto que traga “conquistas sociais”.

Como uma boa visão stalinista, a máxima maquiavélica de “os fins justificam os meios” se aplica inteiramente. O problema é que, em se falando de marxismo revolucionário, há pelo menos 100 anos sabemos que existe uma profunda “interdependência entre os fins e meios”, ou seja, os fins e os meios não podem se contradizer, sob pena de degenerarem em qualquer coisa, menos em ação revolucionária.
Somos, sim, partidários de uma ditadura dos trabalhadores contra os burgueses sem nenhuma vergonha de dizer: uma ditadura de classe. Mas não somos, os marxistas, condescendentes com a degeneração desta quando usurpa o poder e a participação política da classe que deveria dirigir seu destino. Ainda vigora a máxima de Marx e não a de fidel: "A EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES SERÁ OBRA DOS PRÓPRIOS TRABALHADORES."

E é a isto que Jones se dobra quando nos coage a defesa do regime norte-coreano como se isto significasse defender as conquistas sociais.

É preciso sim, nos últimos estados operários do mundo, como Cuba e a Coréia do norte, defender todas as conquistas sociais, inclusive contra as burocracias que hoje dominam o poder político! Estas conquistas não são frutos das particularidades destes países ou da benevolência das burocracias, mas da resistência dos trabalhadores e camponeses que as arrancaram da burguesia e as impedem de desaparecer.
Por outro lado, elas são frutos, também, de uma economia planificada e socializada, ou seja, superior a anarquia da produção capitalista, que obriga as burocracias, como condição de sua existência, a manter uma condição de vida minimamente digna caso contrário podem cair.

Diante destes Estados, as reflexões não são novas. Já na década de 30, diante da profunda burocratização construída pelo Stalinismo (a ala burocrática que tomou o partido comunista russo) na URSS, Trotsky e milhares de revolucionários da Oposição de Esquerda se colocaram a refletir a política para tentar resolver a situação e avançar nas conquistas sociais e econômicas do socialismo.

Do ponto de vista político, propunham uma saída muito clara: As bases econômicas do socialismo deveriam ser mantidas a todo custo. O fim da propriedade privada e o surgimento da propriedade coletivizada dos meios de produção, o fim da anarquia da produção e da sede de lucro da burguesia, eram um avanço rumo ao socialismo.

No entanto, o monopólio do poder político e das decisões por uma casta burocrática e privilegiada, especializada em “gerir a escassez” não apenas impedia o desenvolvimento do socialismo, como impedia o desenvolvimento da revolução mundial e, assim, levariam a restauração capitalista, ou seja, os próprios burocratas tenderiam a se tornar burgueses, a tomar os meios de produção para si e voltar a explorar o povo trabalhador e as riquezas geradas por seu trabalho. Tudo o que, infelizmente, se confirmou ao longo do século 20.

A saída? Apenas uma revolução política, que derrubasse a burocracia e colocasse de pé uma verdadeira democracia operária, onde a administração, as decisões e planejamento da produção fossem feitas pelos trabalhadores produtores, ou seja, pelos conselhos (sovietes) revitalizados.

Isto, no entanto, só faria sentido se a nação encontrasse seu caminho para a revolução mundial: As forças produtivas (terras, fábricas, maquinário, matérias primas, força de trabalho) socializadas de nenhuma nação poderiam sobreviver isoladas e sob a pressão dos países capitalistas.
Somar estas forças produtivas com as de outras nações, através de revoluções que começam nacionais, mas se unificam, não apenas é a única via de obter a abundância necessária para construir o socialismo: é a única forma de derrotar o capitalismo e libertar a humanidade da exploração do homem pelo homem.

Ou seja, É preciso sim defender as conquistas e a qualidade de vida dos trabalhadores e camponeses. Mas isto não se confunde com a defesa de um regime burocrático, ditatorial, baseado na censura e no monopólio decisório.

Sobre isto, sobre o internacionalismo revolucionário, algo presente em todo o marxismo revolucionário desde Marx, mas longe das reflexões dos stalinistas, como se pode perceber, Jones não fala rigorosamente nada.

O capitalismo é mundial, logo, a revolução deve ser mundial.

Não é nenhuma surpresa que Jones, sendo do PCB, tenha este tipo de visão stalinista.
O que surpreende, no entanto, é que tais visões ressoem não apenas em militantes marxistas em geral, mas, inclusive, encontrem o silêncio condescendente de parceiros da dita “nova esquerda” como Sabrina Fernandes, Humberto Martins, a própria boitempo, etc, em pleno século 21.

O autor reclama da preguiça dos detratores do regime norte coreano.
Paradoxalmente, em pleno 2019, diante de uma economia capitalista em crise, nunca antes tão centralizada nas mãos dos monopólios, em que só no Brasil 6 bilionários concentram a mesma riqueza do que 100 milhões de pessoas, Jones acredita ser possível uma revolução socialista “de características especiais” e estritamente nacional e não tira nenhum balanço de TODAS as experiências revolucionárias do século vinte, além de um argumento, este sim, bastante preguiçoso:
Todo esse bloqueio do imperialismo gera deformações e certo nível de burocratização pouco agradável a alguém que defende uma democracia operária. Mas a prioridade quando o assunto é a Coreia Popular, é defender o país do imperialismo”

Agarrado a sua concepção stalinista, Jones segue usando as conquistas sociais do Estado Operário para coagir uma defesa do regime e lança a máxima de Fidel de que “Em uma fortaleza sitiada, toda dissidência é traição”, uma frase interessante para aqueles que, hoje, avançam a passos largos pra uma restauração capitalista das relações de produção em Cuba.

Que a história do único partido operário que chegou ao poder pela via da democracia operária (sovietes que organizavam trabalhadores), o partido Comunista da URSS, outrora partido bolchevique, tenha sido oposta a esta máxima, sendo um partido vivo, com agrupamentos e frações até 1921, nosso sagaz autor trata de esquecer.
Que a proibição de qualquer dissidência tenha se dado circunstancialmente em 21, num cenário de isolamento e guerra civil, mas com o objetivo de ser temporária e dar lugar a um “pluripartidarismo soviético” como defendiam Lênin, trotsky e tantos outros, apenas um detalhe.
Que inclusive a tomada do poder em 1917 tenha sido feita por dois partidos, os SR de esquerda (camponeses pobres) e os Bolcheviques, além de independentes, novamente vem o esquecimento... Que ajuda, é claro, sua máxima stalinista.

Certa vez, em 1919, em plena guerra civil na recém fundada URSS, um autor chamado Bukharin, que não pode ser acusado de Trotskysmo, escreveu junto de outro proeminente ccomunista, Preobrazhenky, um grande manual para ingressantes chamado “ABC do Comunismo”.

Neste manual, aceito e comemorado por todos os revolucionários da heroica geração que tomou o poder em 17, incluindo Lênin e Trotsky, seguindo a linha revolucionária construída desde Marx, afirmam a toda uma geração de novos membros do partido:
 A revolução comunista só poderá vencer se for uma revolução mundial. Se num país a classe operária toma conta do poder, mas nos outros, o proletariado permanece devotado ao capitalismo, esse país será finalmente estrangulado pelos Grandes Estados. De 1917 a 1919 todas as potências imperialistas tentaram estrangular a Rússia dos sovietes.(...)Não puderam porque sua situação interna era tal que deviam temer, elas também, ser derrubadas pelos seus próprios operários.(...) A ditadura proletária num país isolado está continuamente ameaçada se não encontra apoio entre os operários dos outros países. (...) Nesse país a organização econômica é muito difícil porque quase nada recebe do estrangeiro, está bloqueado de todos os lados

A política de bloqueios, invasões e sanções sempre foi a política de todas as nações capitalistas contra a revolução operária, desde a Comuna de paris até nossos dias. Nunca houve nem haverá uma revolução que possa “construir livremente” - como parece desejar Jones - o socialismo, justamente porque nunca existirá o burguês que abrirá mão da supremacia social sem luta.

Por outro lado, seja em Marx a partir de sua análise da tendência do capitalismo em centralizar e concentrar riquezas em poucas mãos, seja em Lênin em sua análise da partilha do mundo pelo imperialismo e do domínio da economia e dos estados pelos trustes e monopólios, contra os quais qualquer revolução teria de se chocar até a derrota total do capitalismo, seja em Trotsky com sua teoria da revolução permanente, em que professa:
- “A revolução socialista não pode realizar-se nos quadros nacionais. Uma das principais causas da crise da sociedade burguesa reside no fato de as forças produtivas por ela engendradas tenderem a ultrapassar os limites do Estado nacional. Daí as guerras imperialistas, de um lado, e a utopia dos Estados Unidos burgueses da Europa, de outro lado. A revolução socialista começa no terreno nacional, desenvolve-se na arena internacional e termina na arena mundial. Por isso mesmo, a revolução socialista se converte em revolução permanente, no sentido novo e mais amplo do termo: só termina com o triunfo definitivo da nova sociedade em todo o nosso planeta.”,
em qualquer um destes, fica evidente o distanciamento de de uma visão marxista pelo autor.

No entanto, longe de um lapso, tal falta mostra a real concepção de Jones.
Uma concepção stalinista, baseada na lógica de “socialismo num país só” e, portanto, nada marxista. Infelizmente, vemos que não tirou balanços dos processos históricos de todo o século 20.

Verdade seja dita, tais erros já receberam o veredito da história repetidas vezes: Seja na restauração do capitalismo na Rússia, na China, na antiga Iugoslávia, no Vietnã, etc.
Seja, também, nas dezenas de revoluções traídas por conta da teoria e prática stalinista, nomeadamente a revolução chinesa de 25 a 27(em que os stalinistas obrigavam trabalhadores comunistas a serem dirigidos pelo partido dos burgueses nacionais de Chiang Kai Chek que, para Jones, tal como Khadaffi, talvez recebesse aspas quando chamado de “ditador”) a ascensão de Hitler ao poder em 33 (já que o stalinismo se negava a frentes únicas e dizia que os social democratas eram “social-fascistas” iguais ou piores que os nazistas), a ditadura civil militar de 64 (quando o PCB se recusou a resistir ao golpe e erguer uma greve geral, armar os trabalhadores e dividir os setores que estavam rompendo no exército, levando a sua ruptura partidária e o surgimento da Guerrilha, além da ditadura), durante os cordões industriais chilenos, durante a revolução espanhola de 30 a 39 (quando os stalinistas condicionavam enviar comida e armas apenas se houvesse o fim da tomada de terras e de fábricas, assim como de dissolução das milícias dos trabalhadores), durante a primavera de praga e um longuíssimo etc...

A principal questão eleita pelo autor para o socialismo no século 20, a de construir uma democracia operária superior durante um estado de guerra permanente, não está equivocada. O problema é que ela já teve sua resposta. E ela não veio, sob nenhum ponto de vista, do stalinismo. Pelo contrário, foi a preocupação fundamental de todos os maiores pensadores do marxismo e está ligada a revolução mundial.

Vemos então que sua visão, apesar de aparentemente “bem intencionada” não apenas passa, de fato, por cima do fundamental, como leva ao crime político de confundir a defesa dos trabalhadores com a defesa dos burocratas que usam suas conquistas para manter seus privilégios.

Como diria o velho Marx “o caminho ao inferno está pavimentado de boas intenções”.  

Em política revolucionária, não é a comoção, mas as armas da crítica que nunca podem faltar a história. Desafortunadamente, não parece ser esta a preocupação do autor, vide este eleger como teoria guia de sua ação, aberta ou maquiada, o stalinismo, esta teoria da traição dos interesses dos trabalhadores.

Desse modo, vemos que a revolução da Coréia não segue firme em direção ao socialismo. Pelo contrário. Seguindo os passos de Jones ela pode até seguir firme...mas em direção a restauração do capitalismo.

 
1-
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zona_econ%C3%B3mica_especial#Coreia_do_Norte
2 https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/02/1738314-seul-suspendera-operacoes-em-parque-industrial-com-a-coreia-do-norte.shtml

quarta-feira, 22 de maio de 2019

E agora...?


Estava só comendo um pastel.
Vez ou outra pego o metrô, sem muito destino, terminando sempre na mesma esquina, ora cheia, ora vazia, como que esperando a vida se manifestar.

Promoção. Nove e noventa um caldo de cana e um pastel.
Espero, enquanto, em um dos ouvidos, soa um rap qualquer, daqueles que já decorei até o timbre do hihat. No outro,  entra o corriqueiro "vai querer sua via?". Nego.
Mais uns minutos e a bomba de carne e massa frita com o refrigerante me são entregues. A coceira de sempre toma a atenção. O celular, como uma necessidade biológica, pede pra ser olhado.
Nada nas redes, nada de novo, apenas a mesma ânsia vazia.
Desço um degrau, miro uma mesa. No instante do movimento, um homem me observa e balança a cabeça em tom de cumprimento. Não sou tão carrancudo a ponto de ignorar.
Retribuo.

De fone de ouvido, o senhor me aborda na mesa, naco e pastel e gole de coca na garganta.
Engulo, puxo um lado do fone, como quem dá metade da atenção e o senhor começa a falar.

Edinei é um homem pra lá dos seus 60 anos. Calça jeans surrada, casaco de lã, cabelos brancos, olhos vidrados e expressão cansada. Na mão, uma sacola de plástico, daqueles verdes desbotados do mercado, cheia de alguma coisa.
Sua fala é rápida, decorada, cheia de informações.

Faz menos de um mês que uso óculos. Deve ser por isso que me abordou, já que, entre uma e outra rajada da propaganda de rua, ele me informa sobre o PH da água, como isso pode danificar as lentes, o estômago e, inclusive, prejudicar a visão. Água o mais alcalina possível é o ideal. Sardinha, pescado, alimentos que ajudam na melhoria da visão.
Em menos de 6 minutos já sei do que se trata. Tiro, por impulso e envolvimento, o outro fone.
Edinei está vendendo algo. Meu impulso de desempregado, claro, tenta esboçar reservas, mas ele continua.

Um gasto de energia grande somado a um acúmulo de informações, muitas delas muitos úteis sobre como conservar os óculos, melhorar a visão, mas ainda nada de me dizer o que ele está vendendo.

Me fala que veio de Ubatuba. Não tem nem 13 anos de contribuição, não se aposentou e tem, como era de se esperar, dois filhinhos pequenos. Não tomou café da manhã nem almoçou, só um salgado no estômago. Já são, afinal, seis da tarde. Ele deve estar mesmo com fome, seus olhos estão vidrados. Do outro lado, rappis, Uber eats, ifoods anônimos se amontoam numa esquina, eventualmente saindo disparados para alguma entrega.

Edinei, então, me fala sobre seu paninho.
Feito de fibra de carnaúba, vindo do Maranhão de caminhão numa viagem de quase dez dias, mais branco que papel, mais macio que algodão. Com cinco apertadas em cada lente e quinze movimentos circulares pra esquerda e direita seu óculos está e fica limpo, salvo eventuais acidentes, pelo dia todo. Nada de roupa, dedo ou detergente pra limpar.

Há algo de mágico na explicação dele. Mágico, metódico e sistemático. Ele se apegou ao que faz com muita gana, criando uma narrativa que instiga e não
dá sequer brechas pra você pensar, afinal, é a forma que encontrou pra sobreviver. Precisa bombardear o interlocutor com informações,  dados, vantagens que, caso adquira, podem ser suas e garantir seus 20 reais, sendo que, destes, ele lucra apenas 7 ou 8. De que outro modo um ambulante, com mais de 60 anos, conseguiria a atenção e o tempo de alguém pra sobreviver na cidade do efêmero?

Decido comprar. Uma nota de dez dou em espécie e o resto passo no cartão.
Sim! Edinei não tem mochila, mas de alguma forma  de dentro da sacola esverdeada lotada de panos e garrafinhas d'água, ele tira uma maquininha. Cada um faz o que pode....

Agradeço o pano e ele me dá a dica final: Se eu dividir o pano em 12 pedaços iguais e lavá-lo uma vez por ano em água filtrada, sem cloro, eles podem durar por 10, 20 ou até 30 anos. É a salvação das minhas lentes, coisa que a obsolescência programada de tudo no capitalismo jamais me proporcionou.

Pergunto seu nome, desejo boa sorte e ele me agradece dizendo que com os dez em dinheiro, ao menos, ele poderá levar um pão pra casa dele.
A desconfiança que qualquer paulistano pode ter, deixando o cartão numa maquininha de ambulante se esvazia quando vejo seu rosto ao se despedir.

Um sorriso de boca fechada, como quem reverencia com os olhos, uma caminhada para a esquina, uma olhada para um lado, para o outro, alguns segundos fixos olhando os entregadores, a franzida na testa como que se questionando "e agora?" e não vejo mais Edinei.

Uso o pano e não é que essa porra é incrível mesmo? Óculos limpo, visão menos turva, coração mais inquieto.
Quantos "e agora" surgem de quantos Edineis na terra da "ambulância" brasileira....?

terça-feira, 21 de maio de 2019

Afinal, é o capitalismo, estúpido! Ou sobre névoas e fumaças...

Eu fico impressionado como em pleno 2019, diante de um possível grande evento de extinção em massa de milhões de espécies, com o clima se deteriorando de maneira galopante tornando o planeta cada vez mais complicado para a vida em geral e a humana em particular, sem falar da falência completa do neoliberalismo e das economias de mercado, com a extrema direita avançando a passos largos, monarquias absolutistas apedrejando gays e mulheres em praça pública, apartheid de milhões de palestinos, desemprego, suicídios, miséria crescente no planeta, enfim, uma verdadeira distopia, NINGUÉM, nenhum ator político relevante se levanta para questionar, ainda que discursivamente, o sistema econômico capitalista! Nem se fala mais a palavra capitalismo!

Evocar o termo é como se a quem te olha você estivesse nos anos 80, 70 ou 60. Mas, desafortunadamente, é isto mesmo o que vivemos.
O CAPITALISMO. E piorado, em sua fase imperialista e financeira.

Com a mesma lógica de superprodução de mercadorias pra gerar lucro, gerando, assim, crises de excesso de produtos,, excesso de créditos, excesso de alimentos, enquanto, de outro lado, milhões morrem de fome, encontram a falência da inadimplência...
Com a mesma ANARQUIA econômica, onde tudo, quantidades e o que produzir, é decidido não pelas pessoas mas pelo que? Uns 7 ou 8 grandes trustes/monopólios, que produzem e disputam de acordo com suas taxas de lucro e não de acordo com um plano baseado na NECESSIDADE das PESSOAS.
Com o mesmo mecanismo de roubo fundamental, implementado através da jornada de trabalho e do avanço tecnológico, o tal roubo do trabalho excedente e da famigerada mais valia (ou mais valor), daquilo que o trabalhador gera e vai MUITO além do que recebe como salário (pense, por exemplo, num chapeiro do Macdonalds que, por dia, faz 100 sandubas de 20 reais cada gerando 40 mil no fim do mês e recebendo 1000 como salário). Tudo isto segue amplamente em amplos setores da economia e sociedade.

Entretando, tal questão é quase um tabu, seja nas conversas triviais entre pessoas ou, pior, na política "oficial", como se hoje fôssemos envolvidos em uma névoa mística que nos impede de pensar outra forma de fazer coisas muito simples:
- produzir coisas
- distribuir coisas
- nos relacionar  solidária e fraternalmente.

Hoje, o capitalismo é um sistema que produz coisas, restringe e condiciona a distribuição destas pelo lucro e poder econômico de quem compra (não tem money? Não leva o honey) e divide a sociedade cada dia mais entre os que tem e os que não tem, os que exploram e são explorados, entre os que nada produzem e vivem de lucros e juros e os que tudo produzem, trabalham e vivem na miséria e dificuldade, em suma, entre os interessados na solidariedade e os interessados na exploração.

Não é difícil perceber que este sistema de coisas conduz nossa civilização e, antes disto, o país, a ruína. É daí que vem o aumento da criminalidade, das doenças, da fome, da falta de moradias, dos salários de fome, do embrutecimento, da deseducação, da discriminação.

Vejo amigos e gente jovem dando de ombro desinteressados, mas eu lhes pergunto: se não nós, esta geração, quem vai dar importância pra esse impulso que tanto nos trouxe de conquistas para os oprimidos e trabalhadores (eu, você, sua vó, minha tia, nossos pais) ao longo dos últimos 170 anos? Haverão muitas gerações mais, ainda?
Toda ação tem um custo. E a inação gera os maiores.

Uma das conquistas dos últimos 30 anos, dos grandes bancos e magnatas industriais, além de seus agentes políticos, foi afastar não apenas da política "oficial" como da vida das pessoas, qualquer idéia de que é possível mudar as coisas, transformar a vida, transformar as formas de se relacionar com a política, com a economia, com a produção de bens ou entre as pessoas.

É como se não houvesse alternativa além de "administrar o que está aí". Ou seja, enquanto os muito ricos seguem nadando na riqueza coletiva roubada, só é possível ver se dá pra tirar um pouquinho mais do que sobrar pro povo não morrer de fome.

Aqui, no país das maravilhas, já é como se o brasileiro, esta espécie única de homo sapiens, fosse incapaz de conceber um novo mundo, de mudar, de optar por grandes transformações, pelo basta numa sociedade fraturada, em que todos são inimigos de todos, todos precisam tirar vantagens de todos, uma sociedade em que a "lei de gerson" venceu pelas qualidades particulares deste exemplar espécime.

Não. Esta farsa, este individualismo, este banho de sangue na base social da pirâmide é construído, estimulado e mantido graças ao saque das riquezas nacionais, seja através da exploração direta dos trabalhadores (nas fábricas e produção ou pelos bancos), seja nos mecanismos de saque institucionais feitos pelos agentes políticos da burguesia (privatizações, juros infindáveis da dívida pública).

Um novo mundo precisa ser parido, mas ainda não há parteiros conscientes disto. Nesse "escuro-claro" surgem os monstros, já diria o herói Italiano. E como tem surgido nos últimos tempos...

Hoje, mais do que nunca, é preciso gritarmos forte por uma sociedade nova, fraternal, livre das amarras do lucro, onde tudo seja produzido pra suprir as NECESSIDADES das pessoas e não os lucros e interesses de um ou outro conglomerado de bancos e burgueses.

Questionar tudo, todos dogmas, toda a falsa normalidade, a farsa de administrar a bárbarie, a hipocrisia de um sistema que PRECISA dos pretos mortos, camponeses sem terra, operários sem trabalho, mulheres sem direitos, pra poder manter os privilégios de uma ínfima minoria, tudo isto é o mais elementar que podemos - e precisamos- fazer hoje.

Chega de reverências e ilusões. Você vive no mundo real. Na exploração real. E ele está em chamas. Resta saber se ainda há como apagá-las. E se há quem se disponha a tal ação.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Paralisação do dia 15: As batalhas decisivas estão começando

A batalha pela educação que começará a se dar amanhã pode ser o prólogo de uma vitória contra a reforma da previdência.
Ao contrário do que alguns grupos de esquerda pensam e afinado com o espírito que os trabalhadores mostraram já em 2017 quando fizeram a greve geral de 45 milhões contra Temer e as reformas (energia esta traída pelos burocratas nos sindicatos e nos partidos adeptos da conciliação de classe e de olho em 2022) não estamos derrotados ou "na defensiva".
O momento das batalhas decisivas, que vão definir se entraremos numa situação política de maior fechamento do regime político, correndo risco de mergulhar em autoritarismos e ditaduras ou se iremos encontrar uma nova oportunidade (como a de 2013) de que um projeto político e de transformação de país e de mundo pela esquerda surja ou ganhe influência para representar a maioria dos oprimidos, está próximo.
Consequentemente, os destinos dos atores políticos em cena também está para mudar. O futuro de Bolsonaro depende do resultado do embate. O de Moro e seu salto para o STF, muito mais.
Uma aliança de ambos e pausa em sua bateção de cabeça, assim como entre as alas Olavetes, milicos e do STF, é esperada diante da reação popular. Se a mentira e tentativa de engano não servir, veremos a turba da repressão.
Deste lado, as centrais, partidos de esquerda e trabalhadores mais organizados apenas mostram sinais, porém, olham atentos para a mobilização da educação. Se essa for vitoriosa, uma injeção de ânimo pode fazer os trabalhadores atropelarem as direções pelegas e traidoras e um espaço novo de influência e força de um projeto de esquerda (também revolucionário) tende a se abrir.
Estas lutas podem decidir o destino de, pelo menos, os próximos 10 anos. E o consórcio burguês sabe disso. Por isto teme a ação popular. Nos preparemos e o passo adentrando neste momento começa amanhã.
Todos e todas aos atos e paralisações do dia 15 contra os cortes da educação!!!