A combinação de situações é muito incomum.
Prisão de sara winter e os idiotas performáticos do acampamento; avanço do STF na pressão de investigar as fake News nas eleições de 2018; agora
a prisão de Queiroz, estranhíssima, há um ano na casa do advogado de Bolsonaro; Weintraub caindo "pra cima'...
Já começam a vibrar as forças a esquerda no escritor político, na defesa do STF, soltar memes e compartilhar gracejos com membros do MBL... Tudo muito estranho.
A crise de representatividade e legitimidade do regime político diante da maioria da população, o verdadeiro centro da questão desde pelo menos 2013, é o que está em jogo (basta ver a série histórica das eleições e o aumento do número de votos nulo/brancos e não comparecimento como sintomas).
Quem mais ganha, num cenário de inexistência de oposição dos trabalhadores, com todas estas ações?
Quem se "reabilita"?
Conforme Bozo perde apoio nas pesquisas, os outrora afundados na lama governadores e congresso crescem. O STF, outrora negociador e que legitimou o golpe parlamentar em 2016, que aprovou o fim dos direitos trabalhistas e da aposentadoria com as reformas de 2017 pra cá, derrepente se tornando baluarte da defesa "da nação". O congresso, a exceção do centrão, junto dos governadores, são vendidos como "forças civilizatórias" diante da barbárie materializada pelo Bolsonaro.
O maniqueísmo é evidente e proposital. Existem forças políticas e econômicas, com os militares em destaque, que entendem a profundidade da crise economica e social que viemos tendo e que teremos, a maior da história, na próxima década.
Uma crise destas proporções coloca em risco a própria estabilidade institucional do país, pois torna cada vez mais claro as maiorias de trabalhadores que esta democracia é uma farsa.
A tragédia da reabertura diante da epidemia e a situação absolutamente miserável das condições de vida do peão (o índice oficial de desempregados saltou de 13 para 28 milhões de 3 meses para cá, com 40 milhões de informais, chegando a 68 milhões desempregados ou informais) tendem a jogar milhões de trabalhadores no caminho do choque com uma democracia que, detrás da igualdade formal de todos perante a lei, esconde a Desigualdade real de uma sociedade divida entre exploradores com direitos e explorados sem nenhum direito real, cujo papel é gerar montanhas de riqueza com seu trabalho, quando muito recebendo um salário muito inferior a esta riqueza gerada, que será sugada e apropriada por esta minoria.
Uma ditadura economica com maquiagem democrática mantida com vigilância digital total e repressão permanente aos bairros pobres e periféricos.
Neste cenário, faz toda a diferença que a "democracia" mostre sua "vitalidade" e puna aqueles já descartáveis, realizando a limpeza e mostrando seu caráter "civilizatório". Como se não fossem as mesmas forças que botaram bolsonaro onde esteve até cumprir todas as reformas exigidas pelo capital daqui e de fora.
Recompor a defesa desta democracia mentirosa e aumentar os índices de legitimidade das instituições diante das classes médias que ainda existem é fundamental pra segurar a onda de convulsões sociais que se avizinha. Dividir "impressões" em meio a crise.
A inexistência de uma ação independente dos trabalhadores, que deveria partir de lutar por condições de renda e existência para sobreviverem em isolamento na epidemia, é a grande carta que falta nesse baralho e, por não existir, permite a manipulação tão fluida e grotesca da realidade política, em benefício dos militares e empresários que, de 1979 para cá, nunca saíram do poder.
Do golpe institucional de 2016, passando pelas reformas (previdência e trabalhistas) que derrubaram o preço do trabalho no Brasil, até a reabilitação planejada das instituições burguesas (exército, congresso, senado e governadores, através da queima do fusível Bolsonaro) há um fio de continuidade muito nítido. Pensar com a cabeça do inimigo nós leva a concluir que esta é a linha mais benéfica a eles.
E tudo se passa com a colaboração voluntária da maioria da dita esquerda, com pouquíssimas vozes dissonantes.
quinta-feira, 18 de junho de 2020
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Notas sobre um genocídio anunciado

1 - No dia em que o Brasil, segundo dados oficiais, acumula 38.700 mortos diretos por Covid e 747 mil infectados, no epicentro da epidemia em São Paulo, Dória e Covas realizam a reabertura do comércio, escritórios e, na quinta, dos shoppings. O país já ultrapassou os EUA e Reino Unido no número médio de casos diários, acumulando 7.197 mortes em 7 dias, com uma média de 1.028 por dia. Importantíssimo frisar que estes são dados oficiais. A subnotificação no Brasil é de cerca de 7 vezes mais casos do que os valores oficiais.
2 - A reabertura do comércio em geral e shoppings é resultado de um giro de 180 graus de Dória: Há umas semanas falava da possibilidade de “lockdown”, fechando tudo, o que mudou bruscamente anunciando um plano supostamente científico de reabertura chamado “Plano São Paulo”. Especialistas cientistas dos grupos COVID19 Brasil e Ação Covid19 afirmam que este plano não possui qualquer embasamento científico, que países que não possuem indicadores claros de achatamento da curva de casos (e o Brasil demonstra o contrário, mas o aumento do número) jamais poderiam pensar em reabrir e acabar com o isolamento. Segundo estes grupos, todo o esforço do isolamento (meia boca, diga-se de passagem) durante 3 meses pode ser perdido em UMA semana.
3 - As principais vítimas do Covi19 já são, há um bom tempo, aqueles que vivem nas franjas de SP e das grandes metrópoles. Ou seja, são os pobres, trabalhadores e periféricos que mais morrem A reabertura acontece dois dias antes do dia dos namorados, data comercial tradicional, provocando aglomerações, transportes lotados e, claro, a disseminação do vírus.
Sem nenhum obstáculo, o corona não tem limite para se espalhar: o “achatamento da curva” , ou seja, a estabilização e controle do número de casos e mortes, só é possível com isolamento social e testagem de milhões. Sem ele, não existe nada que vá estabilizar a situação e o vírus seguirá se espalhando até atingir todo humano que puder. Projeções já apontam que, seguindo esse ritmo, teremos mais de 5 mil mortos por dia no Brasil. Isso levará a morte de milhões, numa situação pior do que qualquer guerra recente.
4 - A prefeitura e o estado de SP dizem que a situação começa a “estabilizar” porque “o número de ocupação de leitos diminuiu”, mas esquecem, propositalmente, de dizer que o número de mortes em casa aumentou vertiginosamente.
O “plano São Paulo” é uma farsa e já é chamado pelos cientistas de plano de “abatedouro” de pobres e trabalhadores. A expressão clara de um genocídio e darwinismo social.
5 - Esta farsa é patrocinada e resultado da pressão dos setores empresariais, patrões e associações de patrões, lojistas, indústrias, shoppings e burgueses em geral. Para eles “economia é saúde”, ou seja, a sua saúde sacrificada é o que faz a economia deles ficar saudável. Desde o início, com objetivos eleitorais, Dória e os governadores mantiveram uma fachada demagógica de “seriedade”, se diferenciando de Bolsonaro para colher votos. Hoje, enfim, se rendem a quem realmente manda no negócio: o poder econômico, que exige que o povo volte ao trabalho, volte ao consumo e, assim, seja sacrificado para manter seus lucros. Sua aposta (desde o início da pandemia, vale notar) é simples: no país acostumado a uma guerra civil e apartheid maquiados de pretos, pobres e trabalhadores, é possível maquiar dados e dar a impressão de que não há tantas mortes, mantendo assim, “a economia girando”
6 – Diante dessa, enfim, unificação de métodos de Bolsonaro e os governadores, vimos, na última semana, manifestações em reação a escalada (planejada) de tom de Bolsonaro. Em capitais do país, alguns milhares de pessoas compareceram a atos “Pela democracia e contra o racismo”, com bastante participação de jovens negros, ressoando a luta dos negros nos EUA contra a violência policial. Estes atos em SP, no entanto, encabeçados por setores da esquerda parlamentar e moderada, se transformaram, apesar da presença e energia valiosa de muitos presentes, em palanques para uma defesa abstrata da democracia. Defesa esta que, na linguagem eleitoral, significa pressionar por, no melhor dos casos, um impeachment que derrubaria Bolsonaro e traria novas eleições, onde se fariam as promessas de uma vida melhor.
7 – Como visto, no entanto, essa defesa da democracia é algo abstrato e que não toca a enorme maioria mais explorada dos trabalhadores. Porque sabem que a “igualdade formal de todos perante a lei” deste regime político tropeça todos os dias na desigualdade REAL, de uma sociedade dividida entre ricos burgueses que recebem democracia e direitos, de um lado, e pobres trabalhadores, cujos direitos de expressão, organização, manifestação, greve, são cotidianamente negados. Sabem que esta democracia é uma ditadura para os pobres e uma democracia apenas para os ricos e não existe igualdade entre explorados e exploradores.
Daí, após uma semana, as novas convocações para a continuidade destes atos estarem completamente minguadas, com pouquíssimos confirmados.
8 – As consequências econômicas e sanitárias da epidemia reorganizam todas as prioridades políticas e colocam um elefante no meio da sala. A esta esquerda que defende “democracia”, apagando o conteúdo de classe burguês desse regime político, o problema do regime está acima do problema da vida material desesperadora da enorme maioria.
Para eles não apenas seria mais “agudo” o problema do Governo federal, como a única forma de conseguir melhorias na” gestão da crise” seria com a queda de Bolsonaro e cia (algo inimaginável, no melhor dos casos, em menos de um ano e meio.). Se equivocam e as convocatórias fracas dos próximos atos provam isto.
9 – A enorme maioria dos trabalhadores, muitos dos quais nunca conseguiram fazer isolamento, se preocupam com sua sobrevivência num cenário de crise econômica e sanitária profundíssimos. Não partir destas necessidades não só não irá mover dezenas de milhares, com apoio de milhões, como irá seguir jogando o jogo da burguesia.
A essa maioria interessa a luta por TESTES aos milhões, PROIBIÇÃO de demissões, Salário Social digno, de no mínimo 2 mil reais, para manter o isolamento e isenção de contas e aluguéis.
Nossa luta deve ser a mais feroz por um isolamento social REAL para todos os trabalhadores!
10- Um movimento de trabalhadores, empregados, desempregados e informais, que colocasse esse programa de idéias a frente, realizando manifestações, ocupações, greves e ações tem o potencial de, ao mesmo tempo que coloca o interesse do peão como PROTAGONISTA na gestão da crise, arrastar dezenas ou centenas de milhares em todo país e derrubar qualquer governo e, assim, abrir caminho para pensar um projeto de poder dos trabalhadores contra esta democracia fajuta. É preciso, no entanto, dizer e dar exemplos de que esta luta é séria.
O debate, então, se torna um debate de estratégia. Também, por outro lado, deixa muito claro em que setores sociais (classe média e camadas superiores de trabalhadores com mais direitos) estão baseadas estas esquerdas que se recusam a priorizar esta luta.
11 – Estamos diante de uma encruzilhada histórica que, a cada dia, se torna mais perigosa. Ou agimos rápido e organizadamente, com uma política que mira o interesse e organiza a revolta da enorme maioria, mostrando como esta “democracia” burguesa, comandada por patrões, é a que nos trouxe a este genocídio anunciado de milhões, lutando algumas semanas com todos os métodos até arrancar a vitória ou passaremos meses e meses vendo cadáveres acumulando e mortes evitáveis de pobres, enquanto os que sobreviverem por sorte se afundam nas dívidas.
A maior central da América Latina, CUT, as organizações ditas socialistas, os sindicatos em geral, tem seu papel nesta questão da história. Semanas de guerra social ou meses/anos de luto e tragédia? De que lado ficarão na história do genocídio que a burguesia nos impõe? A história dirá.
terça-feira, 2 de junho de 2020
Sobre o ato "pela democracia". E o peão?
Sobre o ato "pela democracia" organizado pelas torcidas hoje:
É evidente que, conforme a crise política se torna mais aguda, o impulso a ação e a vontade de responder na prática os absurdos realizados pelo governo federal, Bolsonaro e cia, crescem.
Isto é, sem nenhuma dúvida, extremamente progressista, legítimo e ajuda na luta dos trabalhadores.
Mas toda a ação precisa, em geral, em qualquer momento e, mais ainda, em meio a uma epidemia, ter uma estratégia.
Em qualquer ação a pergunta "quem ganha e quem perde" é central e deve ser feita por qualquer um de nós, peões, assim como é feita por nossos inimigos, os magnatas, patrões e seus gerentes.
O ato de hoje contou com não mais que, chutando alto, 600 pessoas. Foi chamado em uma defesa "pela democracia", ou seja, em defesa deste regime político contra um suposto fascismo que a estaria ameaçando.
Existem interpretações das mais diversas sobre o que pode significar esta luta "pela democracia".
Na boca de PT é uma coisa, na do PCdoB é outra, na de Rodrigo Maia é ainda outra e na dos participantes do ato em SP, provavelmente outra e muito diversa, heterogênea.
Afinal, "democracia" é uma abstração.
Na semana em que João Pedro foi morto, com tiro pelas costas e após algumas semanas de um rapaz ser sequestrado e morto pela PM enquanto esperava a entrega de delivery na frente de sua comunidade em SP, ocorreu também o episódio do Burguês de Alphaville que, após agredir sua esposa, humilhou o PM chamado para atender o caso e disse que iria foder esse "PM de merda", porque ali não era "periferia não".
Veja, nesses episódios fica claro: existe liberdade de expressão, organização e até de cometer crimes sem grandes consequências nessa sociedade.
Para o rico burguês.
Para o pobre e, principalmente, o preto, a democracia oferece o destino de João Pedro a uma taxa de um morto a cada 23 minutos.
A democracia para o burguês é uma ditadura para o pobre. E essa taxa não surgiu agora, com bolsonaro, mas perdura há décadas no país, mesmo só nos governo ditos democráticos.
Nós estamos diante de um governo claramente com tendências autoritárias. Fato.
Mas o problema não é uma figura, Bolsonaro ou Mourão. O problema é que existem milhões de Bolsonaros e Mourãos, empresários, magnatas e aqueles de classe média semifalidos, que os sustentam. É uma luta de classes, com interesses opostos entre elas.
Isso fica claro desde antes da pandemia.
Reforma trabalhista acabou com empregos minimamente aceitáveis. Terceirização total precarizou milhões com baixos salários e longas jornadas. Hoje 57 milhões vivem desempregados ou na informalidade. Reforma da previdência ACABOU com a aposentadoria do pobre, com a maioria afetada que ganha até 2 mil reais.
O governo federal entregou 1,4 trilhões para bancos e outros tantos bilhões em isenções, junto dos governos estaduais, NA PRIMEIRA SEMANA DA EPIDEMIA para empresas. Pro peão, ainda não entregou nem a segunda parcela dos miseráveis 600 reais.
O que o peão está pensando nessa situação toda?
Que é preciso salvar a democracia?
Aqui embaixo, nós estamos pensando, desesperados, quatro coisas muito simples:
- Sem ter renda ou emprego, como sobreviver sem pegar o vírus?
- Como saber quando isso vai acabar?
- Como pagar as contas que aumentam sem ter renda?
- (sendo obrigado a trabalhar em algo não essencial) Como não perder este emprego?
São interesses legitimos, concretos e materiais que podem e precisam ser respondidos (e não são por ninguém) em palavras e ação:
- Salário pago para todo trabalhador não essencial (tirem dos lucros das empresas e do que devem ao Estado)
- Proibição de demissões
- isenção de cobrança de luz, água e gás aos trabalhadores.
- testagem em massa para saber o estado da epidemia e projetar seu fim.
Porque estou dizendo isso?
Porque como disse, temos de sempre perguntar quem "ganha e quem perde" e, ainda mais agora, qualquer ação direta precisa ter estratégia.
E qual é o objetivo desta estratégia? Para nós só pode ser salvar vidas e arrancar conquistas que interessam a vida dos trabalhadores.
Na boca de PT e cia, a "defesa da democracia" significa nada mais nada menos que eleições, ou "voltar a fábula do paraíso na terra dos governos petistas". No melhor dos casos "impeachment e eleições gerais" pra venderam seu peixe e voltarem ao poder. Uma vez lá, vão vender a mesma ladainha de que "tudo vai melhorar gradualmente" "por dentro do Estado" e através dos programas do governo.
Esse oportunismo não só ignora que o problema não é uma pessoa, Bolsonaro, mas toda uma classe burguesa que existe e vai seguir existindo, que, ainda hoje, em sua maioria, o sustenta.
Neste ato, é óbvio, nem todos compartilham desta visão.
De nenhuma maneira deve se dizer que é um ato meramente petista ou que os que ali estão são irresponsáveis. Muitos estão tentando lutar da forma que pensam ser melhor. E é nesse sentido que a crítica pode deve lhes fazer pensar. Para evitar que sejam ações usadas e funcionais justamente a está linha petista, pdtista, enfim, oportunista e que não resolve nada pro peão.
Milhares ou centenas de milhares de trabalhadores não vão sair as ruas para defender "a democracia". Essa democracia, inclusive, em minha opinião não vai se fechar ou cair, fechando congresso e STF. Nenhum setor dominante da burguesia ganharia nada com isto.
Esse regime político já deu lugar a uma forma mais deformada de si próprio, onde os peões serão vigiados por programas do governo na internet (projetos já em tramitação na camara), organizações tipificadas como terroristas e não haverá espaço, sem luta, para nenhuma esquerda que não seja domesticada.
Tudo isso mantendo a fachada de democracias e eleição (fraudadas com fakenews e disparos de whats, etc), como na Bolívia, Honduras e como tentaram na Venezuela.
Nesse sentido, organizar ações com essa bandeira, não só não atrai a massa de trabalhadores como municia os inimigos burgueses e bolsonaristas a isolar estas manifestações ("democracia? Olha lá os esquerdistas xaropes espalhando vírus por nada, pra defender o PT").
Da mesma forma, a própria disseminação da doença pode se dar em nossos atos. Se faremos isto, nos arriscarmos nessa situação, não pode ser por um motivo e bandeira equivocados.
Quem ganha?
Agora, imaginemos um movimento nacional por salário para manter o isolamento, testes aos milhões para entender a epidemia e proibição de demissões.
Atos que comecem assim, com 500, indo pra mil, dois mil, 5 mil. Exigindo aquilo que interessa e é uma exigência MÍNIMA dos trabalhadores, que não aceitam que o lucro esteja acima da vida.
Me parece que não apenas poderia ganhar milhões em apoio geral na sociedade como, colocando o peão no protagonismo, arrastaria categorias a greves, arrancaria direitos e, aí sim, desestabilizaria o governo, abrindo caminho pra vitórias históricas e por uma democracia real,ndos trabalhadores.
A burguesia está convencida de que pode deixar o povo morrer e esconder os dados. Ao se negar a atender estas exigências, isso ficaria mais claro ainda, o próprio conteúdo falso e burguês desse regime "democrático". Não existe igualdade. Existem classes.
Quem ganha?
Não se trata de dizer "fiquem em casa".
Se trata de dizer: "Vamos pra rua, mas vamos sair pra vencer".
Um passo nesse sentido, além de dar protagonismo para o povo trabalhador, traria participação de milhares e apoio de milhões, como a defesa dessa abstração de "democracia", que qualquer peão sabe que não existe na realidade, jamais poderá fazer.
Por isto vale a pena lutar e se arriscar em uma epidemia.
É evidente que, conforme a crise política se torna mais aguda, o impulso a ação e a vontade de responder na prática os absurdos realizados pelo governo federal, Bolsonaro e cia, crescem.
Isto é, sem nenhuma dúvida, extremamente progressista, legítimo e ajuda na luta dos trabalhadores.
Mas toda a ação precisa, em geral, em qualquer momento e, mais ainda, em meio a uma epidemia, ter uma estratégia.
Em qualquer ação a pergunta "quem ganha e quem perde" é central e deve ser feita por qualquer um de nós, peões, assim como é feita por nossos inimigos, os magnatas, patrões e seus gerentes.
O ato de hoje contou com não mais que, chutando alto, 600 pessoas. Foi chamado em uma defesa "pela democracia", ou seja, em defesa deste regime político contra um suposto fascismo que a estaria ameaçando.
Existem interpretações das mais diversas sobre o que pode significar esta luta "pela democracia".
Na boca de PT é uma coisa, na do PCdoB é outra, na de Rodrigo Maia é ainda outra e na dos participantes do ato em SP, provavelmente outra e muito diversa, heterogênea.
Afinal, "democracia" é uma abstração.
Na semana em que João Pedro foi morto, com tiro pelas costas e após algumas semanas de um rapaz ser sequestrado e morto pela PM enquanto esperava a entrega de delivery na frente de sua comunidade em SP, ocorreu também o episódio do Burguês de Alphaville que, após agredir sua esposa, humilhou o PM chamado para atender o caso e disse que iria foder esse "PM de merda", porque ali não era "periferia não".
Veja, nesses episódios fica claro: existe liberdade de expressão, organização e até de cometer crimes sem grandes consequências nessa sociedade.
Para o rico burguês.
Para o pobre e, principalmente, o preto, a democracia oferece o destino de João Pedro a uma taxa de um morto a cada 23 minutos.
A democracia para o burguês é uma ditadura para o pobre. E essa taxa não surgiu agora, com bolsonaro, mas perdura há décadas no país, mesmo só nos governo ditos democráticos.
Nós estamos diante de um governo claramente com tendências autoritárias. Fato.
Mas o problema não é uma figura, Bolsonaro ou Mourão. O problema é que existem milhões de Bolsonaros e Mourãos, empresários, magnatas e aqueles de classe média semifalidos, que os sustentam. É uma luta de classes, com interesses opostos entre elas.
Isso fica claro desde antes da pandemia.
Reforma trabalhista acabou com empregos minimamente aceitáveis. Terceirização total precarizou milhões com baixos salários e longas jornadas. Hoje 57 milhões vivem desempregados ou na informalidade. Reforma da previdência ACABOU com a aposentadoria do pobre, com a maioria afetada que ganha até 2 mil reais.
O governo federal entregou 1,4 trilhões para bancos e outros tantos bilhões em isenções, junto dos governos estaduais, NA PRIMEIRA SEMANA DA EPIDEMIA para empresas. Pro peão, ainda não entregou nem a segunda parcela dos miseráveis 600 reais.
O que o peão está pensando nessa situação toda?
Que é preciso salvar a democracia?
Aqui embaixo, nós estamos pensando, desesperados, quatro coisas muito simples:
- Sem ter renda ou emprego, como sobreviver sem pegar o vírus?
- Como saber quando isso vai acabar?
- Como pagar as contas que aumentam sem ter renda?
- (sendo obrigado a trabalhar em algo não essencial) Como não perder este emprego?
São interesses legitimos, concretos e materiais que podem e precisam ser respondidos (e não são por ninguém) em palavras e ação:
- Salário pago para todo trabalhador não essencial (tirem dos lucros das empresas e do que devem ao Estado)
- Proibição de demissões
- isenção de cobrança de luz, água e gás aos trabalhadores.
- testagem em massa para saber o estado da epidemia e projetar seu fim.
Porque estou dizendo isso?
Porque como disse, temos de sempre perguntar quem "ganha e quem perde" e, ainda mais agora, qualquer ação direta precisa ter estratégia.
E qual é o objetivo desta estratégia? Para nós só pode ser salvar vidas e arrancar conquistas que interessam a vida dos trabalhadores.
Na boca de PT e cia, a "defesa da democracia" significa nada mais nada menos que eleições, ou "voltar a fábula do paraíso na terra dos governos petistas". No melhor dos casos "impeachment e eleições gerais" pra venderam seu peixe e voltarem ao poder. Uma vez lá, vão vender a mesma ladainha de que "tudo vai melhorar gradualmente" "por dentro do Estado" e através dos programas do governo.
Esse oportunismo não só ignora que o problema não é uma pessoa, Bolsonaro, mas toda uma classe burguesa que existe e vai seguir existindo, que, ainda hoje, em sua maioria, o sustenta.
Neste ato, é óbvio, nem todos compartilham desta visão.
De nenhuma maneira deve se dizer que é um ato meramente petista ou que os que ali estão são irresponsáveis. Muitos estão tentando lutar da forma que pensam ser melhor. E é nesse sentido que a crítica pode deve lhes fazer pensar. Para evitar que sejam ações usadas e funcionais justamente a está linha petista, pdtista, enfim, oportunista e que não resolve nada pro peão.
Milhares ou centenas de milhares de trabalhadores não vão sair as ruas para defender "a democracia". Essa democracia, inclusive, em minha opinião não vai se fechar ou cair, fechando congresso e STF. Nenhum setor dominante da burguesia ganharia nada com isto.
Esse regime político já deu lugar a uma forma mais deformada de si próprio, onde os peões serão vigiados por programas do governo na internet (projetos já em tramitação na camara), organizações tipificadas como terroristas e não haverá espaço, sem luta, para nenhuma esquerda que não seja domesticada.
Tudo isso mantendo a fachada de democracias e eleição (fraudadas com fakenews e disparos de whats, etc), como na Bolívia, Honduras e como tentaram na Venezuela.
Nesse sentido, organizar ações com essa bandeira, não só não atrai a massa de trabalhadores como municia os inimigos burgueses e bolsonaristas a isolar estas manifestações ("democracia? Olha lá os esquerdistas xaropes espalhando vírus por nada, pra defender o PT").
Da mesma forma, a própria disseminação da doença pode se dar em nossos atos. Se faremos isto, nos arriscarmos nessa situação, não pode ser por um motivo e bandeira equivocados.
Quem ganha?
Agora, imaginemos um movimento nacional por salário para manter o isolamento, testes aos milhões para entender a epidemia e proibição de demissões.
Atos que comecem assim, com 500, indo pra mil, dois mil, 5 mil. Exigindo aquilo que interessa e é uma exigência MÍNIMA dos trabalhadores, que não aceitam que o lucro esteja acima da vida.
Me parece que não apenas poderia ganhar milhões em apoio geral na sociedade como, colocando o peão no protagonismo, arrastaria categorias a greves, arrancaria direitos e, aí sim, desestabilizaria o governo, abrindo caminho pra vitórias históricas e por uma democracia real,ndos trabalhadores.
A burguesia está convencida de que pode deixar o povo morrer e esconder os dados. Ao se negar a atender estas exigências, isso ficaria mais claro ainda, o próprio conteúdo falso e burguês desse regime "democrático". Não existe igualdade. Existem classes.
Quem ganha?
Não se trata de dizer "fiquem em casa".
Se trata de dizer: "Vamos pra rua, mas vamos sair pra vencer".
Um passo nesse sentido, além de dar protagonismo para o povo trabalhador, traria participação de milhares e apoio de milhões, como a defesa dessa abstração de "democracia", que qualquer peão sabe que não existe na realidade, jamais poderá fazer.
Por isto vale a pena lutar e se arriscar em uma epidemia.
Antifascista sem ser contra o capitalismo?
É descolamento total da classe trabalhadora dizer que não existe a resposta pra esta crise. Ela está na cara. Pra mim, que estou nessa situação, é óbvio.
As pessoas estão morrendo feito moscas. Nós somos o país MAIS AFETADO pelo corona vírus. Em número de casos e de mortos. A burguesia, os governadores e Bolsonaro estão todos pressionando para abrir tudo novamente, sem teste e maquiando o número de mortes.
Não existe emprego. Quem trabalha obrigado está morrendo de medo de perder ou de pegar o vírus. Não existe salário social algum.
Entende? Isso tudo é obra de anos e anos (e mais ainda agora) da DEMOCRACIA BURGUESA.
Não existe fascismo instalado no país! Prestem atenção na realidade!
Isso é puro, puríssimo discurso oportunista liberal, plantando medo, pra colher votos. Plantando uma "cena" antifascista pra arrastar todo mundo para eleições.
Primeiro vota, depois vive.
Na cabeça destes liberais de esquerda e de direita, vermelhos e azuis, no melhor dos casos derrubam Bolsonaro daqui um ano e disputam eleições pra talvez ganhar; no pior dos casos aumentem a base eleitoral para as eleições de 2021/22, com alguma vantagem sob Bolsonaro, ainda no poder.
Não existe nada além disso. E o peão NÃO VAI sair pra se arriscar por nada, por esse discurso fajuto de "defesa da democracia".
Vcs acham que PARAISÓPOLIS vai sair em defesa dela? A família de João Pedro? De Amarildo?
Se existe alguma coisa que pode meter peão em greve, na rua, em atos e abrir caminho é pra conquistar suas necessidades imediatas (salário social digno, teste, isenção de contas e proibição de empregos). Daí se abre o a trilha pra ir além, numa perspectiva de organização social diferente e dos trabalhadores.
Não ver isto é querer agir da mesma forma de sempre e esperar resultados diferentes. Loucura.
Achar que indo num ato em meio a uma epidemia, com uma faixa e um panfleto vai mudar o conteúdo dessa manobra liberal e faze-la deixar de ser por "democracia" ou seja, pra eleger outro explorador "do bem".
Enquanto isso, o que? Pisamos por cima dos corpos nas ruas, cemitérios e hospitais? Onde é que está a mais mínima consciência de classe?
As pessoas estão morrendo feito moscas. Nós somos o país MAIS AFETADO pelo corona vírus. Em número de casos e de mortos. A burguesia, os governadores e Bolsonaro estão todos pressionando para abrir tudo novamente, sem teste e maquiando o número de mortes.
Não existe emprego. Quem trabalha obrigado está morrendo de medo de perder ou de pegar o vírus. Não existe salário social algum.
Entende? Isso tudo é obra de anos e anos (e mais ainda agora) da DEMOCRACIA BURGUESA.
Não existe fascismo instalado no país! Prestem atenção na realidade!
Isso é puro, puríssimo discurso oportunista liberal, plantando medo, pra colher votos. Plantando uma "cena" antifascista pra arrastar todo mundo para eleições.
Primeiro vota, depois vive.
Na cabeça destes liberais de esquerda e de direita, vermelhos e azuis, no melhor dos casos derrubam Bolsonaro daqui um ano e disputam eleições pra talvez ganhar; no pior dos casos aumentem a base eleitoral para as eleições de 2021/22, com alguma vantagem sob Bolsonaro, ainda no poder.
Não existe nada além disso. E o peão NÃO VAI sair pra se arriscar por nada, por esse discurso fajuto de "defesa da democracia".
Vcs acham que PARAISÓPOLIS vai sair em defesa dela? A família de João Pedro? De Amarildo?
Se existe alguma coisa que pode meter peão em greve, na rua, em atos e abrir caminho é pra conquistar suas necessidades imediatas (salário social digno, teste, isenção de contas e proibição de empregos). Daí se abre o a trilha pra ir além, numa perspectiva de organização social diferente e dos trabalhadores.
Não ver isto é querer agir da mesma forma de sempre e esperar resultados diferentes. Loucura.
Achar que indo num ato em meio a uma epidemia, com uma faixa e um panfleto vai mudar o conteúdo dessa manobra liberal e faze-la deixar de ser por "democracia" ou seja, pra eleger outro explorador "do bem".
Enquanto isso, o que? Pisamos por cima dos corpos nas ruas, cemitérios e hospitais? Onde é que está a mais mínima consciência de classe?
Os patrões exigem: sacrifício do peão.
Um vírus deu a volta ao mundo, passou por cada canto do planeta e chegou ao Brasil.
Deu de frente com suas particularidades economicas, políticas e sociais, absurdas. Se fundiu a pobreza, miséria, falta de condições sanitárias, de trabalho, de renda. Passou a levar em taxa muito mais elevada as vidas dos debaixo, apesar de ter sido trazido pelos de cima.
Os poucos milhões que compõe a alta pequenaburguesia e a burguesia se trancaram em seus condomínios e fazendas isoladas.
De seus abrigos fortificados, junto dos governos federal e estaduais nos quais mandam não entregam nada ao povo.
Sem salários, sem testes, cobrando contas, demitindo em massa.
Obrigam os trabalhadores a escolher entre o vírus ou a fome. Mandam abrir tudo, em meio ao impacto mais destrutivo da epidemia, no mundo. 30 mil mortos, 400 mil infectados oficialmente. Faça tudo isso vezes 10 ou 15 e chegará ao número real.
No país em que 6 bilionários ganham mais do que 100 milhões de pessoas, os patrões exigem sacrifício em praça pública de peão através da infecção generalizada. Tudo para manter "a economia", as margens de lucro.
Confiam que a guerra civil maquiada, contra os trabalhadores e pobres, que todos os anos mata 60 mil, já acostumou a massa a aceitar 1200 mortos por Covid19 por dia (e aumentando).
Essa é a cara da Burguesia brasileira. Está é a cara dos políticos liberais em todos níveis do governo burguês.
Uma classe de privilegiados sanguessugas do povo, assassina, cujas propriedades são lavadas em sangue dos pobres. São genocidas, eugenicos e darwinistas sociais.
E é nesse cenário no qual estamos e estaremos pelos próximos meses e anos, até amadurecermos uma visão independente dos trabalhadores.
Uma que entenda que essa democracia burguesa já é, e sempre foi uma ditadura contra os pobres, um regime eleitoral maquiando a exploração e dominação econômica.
Deu de frente com suas particularidades economicas, políticas e sociais, absurdas. Se fundiu a pobreza, miséria, falta de condições sanitárias, de trabalho, de renda. Passou a levar em taxa muito mais elevada as vidas dos debaixo, apesar de ter sido trazido pelos de cima.
Os poucos milhões que compõe a alta pequenaburguesia e a burguesia se trancaram em seus condomínios e fazendas isoladas.
De seus abrigos fortificados, junto dos governos federal e estaduais nos quais mandam não entregam nada ao povo.
Sem salários, sem testes, cobrando contas, demitindo em massa.
Obrigam os trabalhadores a escolher entre o vírus ou a fome. Mandam abrir tudo, em meio ao impacto mais destrutivo da epidemia, no mundo. 30 mil mortos, 400 mil infectados oficialmente. Faça tudo isso vezes 10 ou 15 e chegará ao número real.
No país em que 6 bilionários ganham mais do que 100 milhões de pessoas, os patrões exigem sacrifício em praça pública de peão através da infecção generalizada. Tudo para manter "a economia", as margens de lucro.
Confiam que a guerra civil maquiada, contra os trabalhadores e pobres, que todos os anos mata 60 mil, já acostumou a massa a aceitar 1200 mortos por Covid19 por dia (e aumentando).
Essa é a cara da Burguesia brasileira. Está é a cara dos políticos liberais em todos níveis do governo burguês.
Uma classe de privilegiados sanguessugas do povo, assassina, cujas propriedades são lavadas em sangue dos pobres. São genocidas, eugenicos e darwinistas sociais.
E é nesse cenário no qual estamos e estaremos pelos próximos meses e anos, até amadurecermos uma visão independente dos trabalhadores.
Uma que entenda que essa democracia burguesa já é, e sempre foi uma ditadura contra os pobres, um regime eleitoral maquiando a exploração e dominação econômica.
sábado, 16 de maio de 2020
Como desmontar demagogia bolsonarista de whatsapp?
*texto bolsonarista de whatsapp criticado está em anexo no final, para quem tiver paciência.
Chega a ser enfadonho, a esta altura, termos de ler, nós, os verdadeiros esmagados nesta combinação rara de epidemia e recessão mundial galopando para uma depressão, a demagogia ser destilada com ar tão hipócrita e descomprometido.
É ainda mais desprezível um texto cuja citação final é de ninguém mais, ninguém menos que "Bob Fields", ou Roberto Campos, o ministro do planejamento do general Castelo Branco.
Admiradores de ditadores e autocratas, ou aqueles que os adulam, com ou sem pagamento, sempre encontram o caminho de deixar sua marca. Nem que seja apenas implícita.
Não faria muito sentido despender linhas e mais linhas perguntando ao preocupadíssimo Sr. Felipe se Roberto Campos, economista ministro da Ditadura Civil-militar brasileira responsável por milhares de mortos, desaparecidos e torturados, que tanto o inspira, se indigna com tanta ênfase com a condição alimentar e de trabalho dos trabalhadores durante a ditadura.
Veríamos tamanho cuidado do senhor Bob com aqueles que perderam a vida ou foram torturados, humilhados, demitidos e exilados? Veríamos seu apoio magnânimo diante de trabalhadores, com salários corroídos pelo arrocho (você sabe o que é isto, caro Felipe?) em greve, lutando pelo pão?
E ao autor disto, que tenta chamar de texto, citando tão orgulhosamente personagem obscuro da história brasileira? Importou a vida dos que ficaram pelo caminho, assim como hoje, em valas comuns, por não aceitarem o domínio e CONTROLE unilateral sob suas vidas exercido por velhacos generais que nunca foram eleitos por ninguém?
Não. Na realidade não importam. Assim como a vida dos trabalhadores de hoje também não importam a eles.
Nas letras de Felipe Fiamenghi, todas as estatísticas servem a uma mesma e só senhora: a demagogia protofascista.
Como a melhor forma de se defender é antecipar o mais óbvio ataque, o ilustre autor já trata de dizer, lá pelas tantas, após bradar as miseráveis condições de vida do povo: "não sou fascista... Só porque defendo acabar com a quarentena".
Vestido de paladino da liberdade, agita no ar a óbvia pobreza que acomete o povo brasileiro. Cartada velha. Ele acha mesmo que os fascistas nunca tentaram isto?
Ataca as influenciadoras digitais e patricinhas de classe média (a maioria delas, inclusive, fazem parte do clube nada seleto do Bolsonarismo), isoladas com dinheiro do papai enquanto os trabalhadores se expõe ao vírus, usando contradições reais, para escapar do fundamental.
Chega até a jogar ao ar os dados das milhares de mortes por essa fantasmagórica entidade chamada "violência urbana".
Um professor de jornalismo ou relações públicas não teria feito um texto melhor exemplificando o uso da hipocrisia e demagogia. Isto é quase uma obra prima do gênero!
Felipe não menciona que estamos no país em que morre um preto a cada 23 minutos. Em que as polícias militares matam jovens pretos nas periferias como moscas, jogando seus corpos em córregos.
Matam quando vão pegar comida; matam quando estão com guarda chuva nas mãos, quando estão com furadeiras, matam quando empinam pipa, matam adolescentes quando não recebem onarrego, fuzilam com 250 tiros carros com pretos, somem com Amarildos, Douglas, arrastam Cláudias...
Soubesse a proporção destes assassinatos, em nome desse pretexto genocida e falso para o controle social e racial chamado "guerra às drogas", Felipe tiraria o foco dos problemas "da violência urbana".
Afinal, é o que ele, como bolsonarista inconfundível, quer. Só que a violência só contra o peão.
Consciencioso, doutor Felipe, indignado (SIC), grita aos ventos contra a quarentena, ferramenta da "torre de marfim", ou seja, das dondocas que a usam para o fim sádico de, enquanto descansam, terem o enorme prazer de ver suas empregadas, faxineiros, porteiros e todos estes milhões "da classe C, D, E", tendo de sair para trabalhar e lhes servir, se amontoando nos ônibus e disseminando a infecção.
É inegável, é claro, que isto corresponda a realidade. Existem milhões de burgueses que agem exatamente desta forma, isolados em suas quarentenas místicas e sendo servidos por seus serviçais assalariados, a famosa "classe trabalhadora" (pra usar um termo historicamente mais preciso do que estas siglas de gabinete burguês).
Ocorre que, como tudo que venha dessa gente bolsonarista, o cheiro da hipocrisia é inconfundível.
Pra notar, basta procurar as dezenas de histórias de empregadas infectadas por patrões que as obrigaram a trabalhar, muitos deles, vejam só, bolsonaristas como Felipe, hoje indignados com a quarentena, com a diminuição dos lucros, com essa "histeria" e que, peguem o pulo, não entendem que "diminuir o PIB aumenta mortalidade". Ou quem trouxe da Europa o vírus foi o povão que Guedes humilha ao dizer que não tem nem que viajar de avião?
É isto mesmo! Este alpinista social, travestido de "redator de whatsapp", busca te convencer, sem falar diretamente, que mais vale o número de mortes com a infecção descontrolada, ou seja, sem qualquer quarentena, do que a que "pode vir" com a queda do PIB, ou seja, da riqueza interna do país.
E quem ele usa para justificar? A universidade de Chicago. Que coincidência! Não seria Paulo Guedes o ministro da justiça aquele que se chama de "Chicago Boy"?
Que este "Chicago Boy" tenha entregue um Brasil estagnado, com recordes de desemprego e trabalho informal, que tenha ACABADO COM A APOSENTADORIA do povo, destruído as relações de trabalho, imposto a lei de terceirização total, ou seja, destruído as condições de vida e trabalho, obrigado o peão a literalmente trabalhar até morrer velho, em 2019 e agora nos leve de cabeça para uma recessão economica, nenhuma palavra.
Onde está a mágica Felipe? Afinal, Guedes é "quem manda" na economia.
Ocorre que tanto Guedes quanto Felipe não dão a mínima para a sua vida - ou morte - de peão.
Os brasileiros estão de frente com a pior pandemia em 100 anos. As condições socioeconômicas já prenunciavam que por aqui tudo seria muito mais grave.
Favelas, salários baixíssimos, 50% do país sem esgoto, 60 milhões de pessoas endividadas. Façamos uma pergunta: tudo isso surgiu com a Pandemia? Veio do nada?
Só um abobalhado pode falar que criou 800 mil empregos (se denunciando como agente de Bolsonaro ao usar o "nós") diante da realidade brasileira.
Estes canalhas, pagos para falar como papagaios e enganar o povo, não mencionam que o Brasil JÁ era, antes da epidemia, o país em que 104 milhões de pessoas viviam com 413 reais por mês; em que 11 milhões de pessoas vivem com 51 reais por mês!!!; em que 13 milhões estavam desempregados, 5 milhões desalentados e 40 milhões na informalidade, ou seja, vivendo de bicos ou desempregados estão e estavam já cerca de 58 milhões de brasileiros (o que deve ser maior, já que estes são dados do governo).
Este país já era aquele em que o 1% mais rico, esta parcela na qual ou se enquadra ou busca se enquadrar Felipe, ganha 34 vezes mais do que os 105 milhões mais pobres. Não é uma,nem duas. 34 vezes.
Sofrerá amarga decepcão aquele que buscar encontrar tamanha indignação com a miséria e as condições dos trabalhadores e sobre isto antes desta data.
Esta indignação é apenas um teatro para esconder dois objetivos simples:
- Dar munição a Bolsonaro na briga ELEITORAL com os não menos asquerosos governadores, como Dória e Witzel.
- Forçar a barra para afrouxar a quarentena e obrigar o povo, esse mesmo com quem ele diz se preocupar por ser "obrigado" a ir para as ruas pois " não tem poupança", a trabalhar e continuar gerando lucro aos patrões.
Este tipo de sicofanta (pesquisa lá o que é isso Felipe) realiza todo um baile escrito, veste uma roupa de defensor do povo (como todo populista de direita) para dizer uma coisa muito simples: ele é contra a quarentena e quer o fim das "restrições autoritárias" para as pessoas circularem e trabalharem.
Não cabe nestas poucas linhas entrar na também absurda política dos governadores. Os trabalhadores tem de entender que isto é uma briga de patrões, burgueses, usando nossas vidas como armas eleitorais. Quem não dá a mínima para nós são todos eles, Felipe se, bolsonarista, Guedes e Dorias.
De toda forma é preciso salientar: Felipe, junto de Caio Coppola e tipos afins, fazem parte do grupelho bolsonarista que exige o fim de qualquer quarentena quando o Brasil, OFICIALMENTE, tem 250 mil infectados e 13,5 mil mortos pelo Covid19.
Coppola é particularmente asqueroso: dizia, há um mês, com risinho apodrecido no rosto e pressionando para acabar com qualquer isolamento, naquele circo que chamam de debate na CNN Brasil, que o máximo que haveria no Brasil seriam "8 mil mortes".
Estamos em 13 mil. Façam este número de mortes e infectados vezes 15, que corresponde ao número de casos não identificados, já que Bolsonaro, Coppola Felipe e sua turma se recusam a usar recursos para testar a população.
Temos então a verdade nua e crua: o Brasil tem entre 1,5 milhão e 4,4 milhões de infectados e dezenas de milhares de mortes, direta ou indiretamente (por falta de leitos para doenças "normais" que também exigem UTI), por conta da epidemia.
E exigem que acabemos com qualquer quarentena! Que todos, não só os que forem essenciais para o combate a epidemia, todos, circulem, passem, peguem, morram com o vírus. Só não mexam com o lucro e o PIB!
Falam que o povo é obrigado a trabalhar! Mas...obrigado por quem cara pálida? Pela "vontade"? Ou será pela fome? Ou pelas dívidas? Ou será pelos patrões?
Bancos, empresas e patrões foram salvos no primeiro dia desta crise. O governo entregou - respire - 1,3 TRILHÕES de reais aos Bancos para "emprestar barato". Sabe o que fizeram? aumentaram os juros!
As grandes empresas foram ISENTAS de impostos federais e sob matérias primas compradas no exterior. Sabe o que fizeram? Demitiram aos milhões!
E o que o governo fez? Exigiu acabar com as demissões? Exigiu que os lucros e reservas pagassem os salários dos trabalhadores? Não! Aprovou CORTE e SUSPENSÃO de salário e contratos.
Enquanto isso, ao "povao" Bolsonaro e os cândidos candidatos a puxa-saco como Felipe ofereceram o que? 200 reais que, depois de muito tempo, viraram 600. Não precisamos dizer que nem esta migalha chegou a todos brasileiros que precisam. O governo está há um mês segurando e não solta a segunda parcela.
Ah… então são "obrigados" por alguém em alguma situação não é mesmo senhor Felipe?
Estivesse preocupado com o povo, este desprezível senhor não usaria sua condição de miséria para espalhar mentiras e enganações, para servir ao seu senhor miliciano.
Estaria exigindo que TODOS trabalhadores tivessem direito a um salário digno, do Dieese, lá pela casa dos 4 mil reais (afinal, é o que este órgão OFICIAL, governamental, diz que é o mínimo para uma família ter uma vida digna) para ficarem em casa até a epidemia estar controlada. Dinheiro existe! Cobrem as dívidas dos bancos com o INSS, confisquem os lucros dos grandes grupos empresariais, taxem as grandes fortunas e dividendos!
A vida está abaixo dos lucros?
Exigiria que se construíssem milhares de leitos e se estatizasse os leitos de hospitais privados, muitos vazios enquanto nos públicos se morre no corredor.
Estaria exigindo que todo hospital sobrassem e em cada esquina houvesse distribuição de máscaras, gel, luvas.
Exigiria que num país em que todas as indústrias operam com Ociosidade recorde de 50%, ou seja, produzindo METADE do que tem capacidade, se reorganizassem para combater o virus.
64 fábricas de automóveis no país produzem até 5 milhões de carros por ano. Mas não precisamos de carros.
Quantos milhões de respiradores poderiam produzir? E quantas centenas de milhões de máscaras e luvas?
Com todas estas condições, os trabalhadores poderiam ficar em casa.
Não seriam obrigados por nada.
E os patrões seguiriam seu berreiro enquanto veríamos a velocidade da epidemia diminuir, o sistema de saúde não colapsar e termos atendimento a todos.
Não é está quarentena a que temos. É esta a que devemos lutar para ter. Mas antes algum isolamento do que nenhum. Ao menos tempos condições de exigir condições para mantê-lo.
Exigir seu fim total é exigir algo ao redor de 2 milhões ou mais de mortes, com caixão lacrado, covas comuns e sem velório, ou mais. A maioria delas preta e pobre.
Quem é o canalha e quem defende o povo nesta história?
Estariam os governadores, com negligência parecida, tão longes de Felipes e Bolsonaros?
A questão aqui é que, não raramente, surge uma figura burguesa - e mais ainda entre estes fascistas hipócritas - tentando explorar politicamente a miséria do trabalhador.
O povo precisa saber e devemos dizer com todas as letras quais são os amigos e inimigos do povo.
E os piores inimigos são os deste tipo: fingindo indignação e solidariedade, conduzem a massa para o abate, com o único e sórdido objetivo de "salvar a economia", "salvar o PIB", ou seja, sugar seu sangue, peão, e salvar os lucros e privilégios deles, em seus bunkers, casas na praia, só vendo o quando caiu ou subiu sua margem de lucro.
**
As classes C, D e E somam 199 MILHÕES de brasileiros. É gente que não tem fundo de reserva, não tem poupança. São pais e mães de família que, todos os dias, têm que sair pra trabalhar (formal ou informalmente), pra comprar a comida do dia seguinte.
Não têm esteira na sala, não têm dinheiro para telas e tintas, não têm pacote de streaming e não podem se dar ao luxo de pedir comida por aplicativo. Cozinham em casa, levam marmita para o trabalho. Restaurante é luxo, para datas comemorativas.
Na "Torre de Marfim", tudo é diferente. Os "intelectuais" vivem em seus próprios mundos, desvinculados destas preocupações práticas do dia a dia. "Fiquem em casa", eles dizem, enquanto se exercitam em suas salas, onde caberiam dois apartamentos populares.
São preocupadíssimos com o "social" e defendem, com afinco, a esquerda populista; mas estão há tanto tempo sem cumprimentar o porteiro, sem olhar na cara do garçom, sem dar um bom dia para o manobrista, que esqueceram que trabalhador também é gente.
Se lembrassem, provavelmente a ilustríssima jornalista não taxaria como "antissociais" aqueles que estão lhe proporcionando o conforto do isolamento. Suas telas, tintas e encomendas de comida não chegaram sozinhas à sua casa. O lixo que ela produz também não vai embora caminhando; nem a energia elétrica, para aproveitar sua Netflix e fazer funcionar sua esteira, é gerada através de mágica.
O descolamento da realidade não é exclusividade da entrevistadora do "Roda Vida". Quem não se lembra, há poucos dias, daquela atriz global, no Instagram, pedindo para que seus seguidores ficassem em casa, enquanto, ao fundo, sua empregada doméstica trabalhava?
O grande problema é que essas pessoas, que não fazem o próprio supermercado, que não sabem quanto custa encher o carrinho para a compra do mês, são as "influenciadoras das massas".
Postam em suas redes que "dinheiro não vale mais do que a vida", enquanto bebem vinhos finos e comem canapés; ignorando o fato que a fome também mata (e mais do que o vírus).
Defender a quarentena, agora, é "cool". E qualquer um que discorde é um "fascista", que não valoriza o próximo. O estranho é que estes "intelectuais" ficaram em silêncio por mais de uma década, quando 166 brasileiros, em média, morriam todos os dias, vítimas da violência urbana. Defendiam fervorosamente, aliás, o desarmamento civil; tirando do povo a única chance de defesa, enquanto eram escoltados por seguranças armados.
Ignoram, também, a estimativa de que 50.000 pessoas, em nosso país, estão tendo seus diagnósticos de câncer atrasados pela pandemia. Uma doença que, sabidamente, tem no diagnóstico precoce um fator determinante para a cura.
Desconhecem, ou fingem desconhecer estudos de institutos sérios, como University of Chicago, Oxford, Sorbonne, London City Hall e U.S Bureau of Economic Analysis, que relatam a causalidade entre queda do PIB e aumento de mortes. Não por acaso, nos países mais desenvolvidos a expectativa de vida é tão maior.
A dura custas, em 2019, criamos 800.000 novos empregos. Em 30 dias, extinguimos 9 milhões; que se somarão aos 11 milhões de desempregados que já tínhamos. 20% dos brasileiros em idade produtiva estão fora do mercado. Isso se traduz em um aumento exponencial de violência urbana, violência doméstica, alcoolismo, uso de drogas, depressão, suicídios, doenças cardíacas, entre tantas outras consequências letais.
Estes "comunicadores", que aplaudem o totalitarismo dos prefeitos e governadores contra o povo, são os mesmos que berrariam mais do que bezerros desmamados, se o governo sequer cogitasse a possibilidade de restringir a liberdade de imprensa.
Não se iludam que estão preocupados com o bem estar de qualquer pessoa, senão deles próprios. As "medidas sanitárias", que tanto apoiam, há muito já deixaram de ser uma questão de saúde e se transformaram em uma questão de CONTROLE.
LAVEM AS MÃOS E ABRAM OS OLHOS.
Felipe Fiamenghi - 14/05/2020
"É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês; trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola."
(CAMPOS, Roberto)
Chega a ser enfadonho, a esta altura, termos de ler, nós, os verdadeiros esmagados nesta combinação rara de epidemia e recessão mundial galopando para uma depressão, a demagogia ser destilada com ar tão hipócrita e descomprometido.
É ainda mais desprezível um texto cuja citação final é de ninguém mais, ninguém menos que "Bob Fields", ou Roberto Campos, o ministro do planejamento do general Castelo Branco.
Admiradores de ditadores e autocratas, ou aqueles que os adulam, com ou sem pagamento, sempre encontram o caminho de deixar sua marca. Nem que seja apenas implícita.
Não faria muito sentido despender linhas e mais linhas perguntando ao preocupadíssimo Sr. Felipe se Roberto Campos, economista ministro da Ditadura Civil-militar brasileira responsável por milhares de mortos, desaparecidos e torturados, que tanto o inspira, se indigna com tanta ênfase com a condição alimentar e de trabalho dos trabalhadores durante a ditadura.
Veríamos tamanho cuidado do senhor Bob com aqueles que perderam a vida ou foram torturados, humilhados, demitidos e exilados? Veríamos seu apoio magnânimo diante de trabalhadores, com salários corroídos pelo arrocho (você sabe o que é isto, caro Felipe?) em greve, lutando pelo pão?
E ao autor disto, que tenta chamar de texto, citando tão orgulhosamente personagem obscuro da história brasileira? Importou a vida dos que ficaram pelo caminho, assim como hoje, em valas comuns, por não aceitarem o domínio e CONTROLE unilateral sob suas vidas exercido por velhacos generais que nunca foram eleitos por ninguém?
Não. Na realidade não importam. Assim como a vida dos trabalhadores de hoje também não importam a eles.
Nas letras de Felipe Fiamenghi, todas as estatísticas servem a uma mesma e só senhora: a demagogia protofascista.
Como a melhor forma de se defender é antecipar o mais óbvio ataque, o ilustre autor já trata de dizer, lá pelas tantas, após bradar as miseráveis condições de vida do povo: "não sou fascista... Só porque defendo acabar com a quarentena".
Vestido de paladino da liberdade, agita no ar a óbvia pobreza que acomete o povo brasileiro. Cartada velha. Ele acha mesmo que os fascistas nunca tentaram isto?
Ataca as influenciadoras digitais e patricinhas de classe média (a maioria delas, inclusive, fazem parte do clube nada seleto do Bolsonarismo), isoladas com dinheiro do papai enquanto os trabalhadores se expõe ao vírus, usando contradições reais, para escapar do fundamental.
Chega até a jogar ao ar os dados das milhares de mortes por essa fantasmagórica entidade chamada "violência urbana".
Um professor de jornalismo ou relações públicas não teria feito um texto melhor exemplificando o uso da hipocrisia e demagogia. Isto é quase uma obra prima do gênero!
Felipe não menciona que estamos no país em que morre um preto a cada 23 minutos. Em que as polícias militares matam jovens pretos nas periferias como moscas, jogando seus corpos em córregos.
Matam quando vão pegar comida; matam quando estão com guarda chuva nas mãos, quando estão com furadeiras, matam quando empinam pipa, matam adolescentes quando não recebem onarrego, fuzilam com 250 tiros carros com pretos, somem com Amarildos, Douglas, arrastam Cláudias...
Soubesse a proporção destes assassinatos, em nome desse pretexto genocida e falso para o controle social e racial chamado "guerra às drogas", Felipe tiraria o foco dos problemas "da violência urbana".
Afinal, é o que ele, como bolsonarista inconfundível, quer. Só que a violência só contra o peão.
Consciencioso, doutor Felipe, indignado (SIC), grita aos ventos contra a quarentena, ferramenta da "torre de marfim", ou seja, das dondocas que a usam para o fim sádico de, enquanto descansam, terem o enorme prazer de ver suas empregadas, faxineiros, porteiros e todos estes milhões "da classe C, D, E", tendo de sair para trabalhar e lhes servir, se amontoando nos ônibus e disseminando a infecção.
É inegável, é claro, que isto corresponda a realidade. Existem milhões de burgueses que agem exatamente desta forma, isolados em suas quarentenas místicas e sendo servidos por seus serviçais assalariados, a famosa "classe trabalhadora" (pra usar um termo historicamente mais preciso do que estas siglas de gabinete burguês).
Ocorre que, como tudo que venha dessa gente bolsonarista, o cheiro da hipocrisia é inconfundível.
Pra notar, basta procurar as dezenas de histórias de empregadas infectadas por patrões que as obrigaram a trabalhar, muitos deles, vejam só, bolsonaristas como Felipe, hoje indignados com a quarentena, com a diminuição dos lucros, com essa "histeria" e que, peguem o pulo, não entendem que "diminuir o PIB aumenta mortalidade". Ou quem trouxe da Europa o vírus foi o povão que Guedes humilha ao dizer que não tem nem que viajar de avião?
É isto mesmo! Este alpinista social, travestido de "redator de whatsapp", busca te convencer, sem falar diretamente, que mais vale o número de mortes com a infecção descontrolada, ou seja, sem qualquer quarentena, do que a que "pode vir" com a queda do PIB, ou seja, da riqueza interna do país.
E quem ele usa para justificar? A universidade de Chicago. Que coincidência! Não seria Paulo Guedes o ministro da justiça aquele que se chama de "Chicago Boy"?
Que este "Chicago Boy" tenha entregue um Brasil estagnado, com recordes de desemprego e trabalho informal, que tenha ACABADO COM A APOSENTADORIA do povo, destruído as relações de trabalho, imposto a lei de terceirização total, ou seja, destruído as condições de vida e trabalho, obrigado o peão a literalmente trabalhar até morrer velho, em 2019 e agora nos leve de cabeça para uma recessão economica, nenhuma palavra.
Onde está a mágica Felipe? Afinal, Guedes é "quem manda" na economia.
Ocorre que tanto Guedes quanto Felipe não dão a mínima para a sua vida - ou morte - de peão.
Os brasileiros estão de frente com a pior pandemia em 100 anos. As condições socioeconômicas já prenunciavam que por aqui tudo seria muito mais grave.
Favelas, salários baixíssimos, 50% do país sem esgoto, 60 milhões de pessoas endividadas. Façamos uma pergunta: tudo isso surgiu com a Pandemia? Veio do nada?
Só um abobalhado pode falar que criou 800 mil empregos (se denunciando como agente de Bolsonaro ao usar o "nós") diante da realidade brasileira.
Estes canalhas, pagos para falar como papagaios e enganar o povo, não mencionam que o Brasil JÁ era, antes da epidemia, o país em que 104 milhões de pessoas viviam com 413 reais por mês; em que 11 milhões de pessoas vivem com 51 reais por mês!!!; em que 13 milhões estavam desempregados, 5 milhões desalentados e 40 milhões na informalidade, ou seja, vivendo de bicos ou desempregados estão e estavam já cerca de 58 milhões de brasileiros (o que deve ser maior, já que estes são dados do governo).
Este país já era aquele em que o 1% mais rico, esta parcela na qual ou se enquadra ou busca se enquadrar Felipe, ganha 34 vezes mais do que os 105 milhões mais pobres. Não é uma,nem duas. 34 vezes.
Sofrerá amarga decepcão aquele que buscar encontrar tamanha indignação com a miséria e as condições dos trabalhadores e sobre isto antes desta data.
Esta indignação é apenas um teatro para esconder dois objetivos simples:
- Dar munição a Bolsonaro na briga ELEITORAL com os não menos asquerosos governadores, como Dória e Witzel.
- Forçar a barra para afrouxar a quarentena e obrigar o povo, esse mesmo com quem ele diz se preocupar por ser "obrigado" a ir para as ruas pois " não tem poupança", a trabalhar e continuar gerando lucro aos patrões.
Este tipo de sicofanta (pesquisa lá o que é isso Felipe) realiza todo um baile escrito, veste uma roupa de defensor do povo (como todo populista de direita) para dizer uma coisa muito simples: ele é contra a quarentena e quer o fim das "restrições autoritárias" para as pessoas circularem e trabalharem.
Não cabe nestas poucas linhas entrar na também absurda política dos governadores. Os trabalhadores tem de entender que isto é uma briga de patrões, burgueses, usando nossas vidas como armas eleitorais. Quem não dá a mínima para nós são todos eles, Felipe se, bolsonarista, Guedes e Dorias.
De toda forma é preciso salientar: Felipe, junto de Caio Coppola e tipos afins, fazem parte do grupelho bolsonarista que exige o fim de qualquer quarentena quando o Brasil, OFICIALMENTE, tem 250 mil infectados e 13,5 mil mortos pelo Covid19.
Coppola é particularmente asqueroso: dizia, há um mês, com risinho apodrecido no rosto e pressionando para acabar com qualquer isolamento, naquele circo que chamam de debate na CNN Brasil, que o máximo que haveria no Brasil seriam "8 mil mortes".
Estamos em 13 mil. Façam este número de mortes e infectados vezes 15, que corresponde ao número de casos não identificados, já que Bolsonaro, Coppola Felipe e sua turma se recusam a usar recursos para testar a população.
Temos então a verdade nua e crua: o Brasil tem entre 1,5 milhão e 4,4 milhões de infectados e dezenas de milhares de mortes, direta ou indiretamente (por falta de leitos para doenças "normais" que também exigem UTI), por conta da epidemia.
E exigem que acabemos com qualquer quarentena! Que todos, não só os que forem essenciais para o combate a epidemia, todos, circulem, passem, peguem, morram com o vírus. Só não mexam com o lucro e o PIB!
Falam que o povo é obrigado a trabalhar! Mas...obrigado por quem cara pálida? Pela "vontade"? Ou será pela fome? Ou pelas dívidas? Ou será pelos patrões?
Bancos, empresas e patrões foram salvos no primeiro dia desta crise. O governo entregou - respire - 1,3 TRILHÕES de reais aos Bancos para "emprestar barato". Sabe o que fizeram? aumentaram os juros!
As grandes empresas foram ISENTAS de impostos federais e sob matérias primas compradas no exterior. Sabe o que fizeram? Demitiram aos milhões!
E o que o governo fez? Exigiu acabar com as demissões? Exigiu que os lucros e reservas pagassem os salários dos trabalhadores? Não! Aprovou CORTE e SUSPENSÃO de salário e contratos.
Enquanto isso, ao "povao" Bolsonaro e os cândidos candidatos a puxa-saco como Felipe ofereceram o que? 200 reais que, depois de muito tempo, viraram 600. Não precisamos dizer que nem esta migalha chegou a todos brasileiros que precisam. O governo está há um mês segurando e não solta a segunda parcela.
Ah… então são "obrigados" por alguém em alguma situação não é mesmo senhor Felipe?
Estivesse preocupado com o povo, este desprezível senhor não usaria sua condição de miséria para espalhar mentiras e enganações, para servir ao seu senhor miliciano.
Estaria exigindo que TODOS trabalhadores tivessem direito a um salário digno, do Dieese, lá pela casa dos 4 mil reais (afinal, é o que este órgão OFICIAL, governamental, diz que é o mínimo para uma família ter uma vida digna) para ficarem em casa até a epidemia estar controlada. Dinheiro existe! Cobrem as dívidas dos bancos com o INSS, confisquem os lucros dos grandes grupos empresariais, taxem as grandes fortunas e dividendos!
A vida está abaixo dos lucros?
Exigiria que se construíssem milhares de leitos e se estatizasse os leitos de hospitais privados, muitos vazios enquanto nos públicos se morre no corredor.
Estaria exigindo que todo hospital sobrassem e em cada esquina houvesse distribuição de máscaras, gel, luvas.
Exigiria que num país em que todas as indústrias operam com Ociosidade recorde de 50%, ou seja, produzindo METADE do que tem capacidade, se reorganizassem para combater o virus.
64 fábricas de automóveis no país produzem até 5 milhões de carros por ano. Mas não precisamos de carros.
Quantos milhões de respiradores poderiam produzir? E quantas centenas de milhões de máscaras e luvas?
Com todas estas condições, os trabalhadores poderiam ficar em casa.
Não seriam obrigados por nada.
E os patrões seguiriam seu berreiro enquanto veríamos a velocidade da epidemia diminuir, o sistema de saúde não colapsar e termos atendimento a todos.
Não é está quarentena a que temos. É esta a que devemos lutar para ter. Mas antes algum isolamento do que nenhum. Ao menos tempos condições de exigir condições para mantê-lo.
Exigir seu fim total é exigir algo ao redor de 2 milhões ou mais de mortes, com caixão lacrado, covas comuns e sem velório, ou mais. A maioria delas preta e pobre.
Quem é o canalha e quem defende o povo nesta história?
Estariam os governadores, com negligência parecida, tão longes de Felipes e Bolsonaros?
A questão aqui é que, não raramente, surge uma figura burguesa - e mais ainda entre estes fascistas hipócritas - tentando explorar politicamente a miséria do trabalhador.
O povo precisa saber e devemos dizer com todas as letras quais são os amigos e inimigos do povo.
E os piores inimigos são os deste tipo: fingindo indignação e solidariedade, conduzem a massa para o abate, com o único e sórdido objetivo de "salvar a economia", "salvar o PIB", ou seja, sugar seu sangue, peão, e salvar os lucros e privilégios deles, em seus bunkers, casas na praia, só vendo o quando caiu ou subiu sua margem de lucro.
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As classes C, D e E somam 199 MILHÕES de brasileiros. É gente que não tem fundo de reserva, não tem poupança. São pais e mães de família que, todos os dias, têm que sair pra trabalhar (formal ou informalmente), pra comprar a comida do dia seguinte.
Não têm esteira na sala, não têm dinheiro para telas e tintas, não têm pacote de streaming e não podem se dar ao luxo de pedir comida por aplicativo. Cozinham em casa, levam marmita para o trabalho. Restaurante é luxo, para datas comemorativas.
Na "Torre de Marfim", tudo é diferente. Os "intelectuais" vivem em seus próprios mundos, desvinculados destas preocupações práticas do dia a dia. "Fiquem em casa", eles dizem, enquanto se exercitam em suas salas, onde caberiam dois apartamentos populares.
São preocupadíssimos com o "social" e defendem, com afinco, a esquerda populista; mas estão há tanto tempo sem cumprimentar o porteiro, sem olhar na cara do garçom, sem dar um bom dia para o manobrista, que esqueceram que trabalhador também é gente.
Se lembrassem, provavelmente a ilustríssima jornalista não taxaria como "antissociais" aqueles que estão lhe proporcionando o conforto do isolamento. Suas telas, tintas e encomendas de comida não chegaram sozinhas à sua casa. O lixo que ela produz também não vai embora caminhando; nem a energia elétrica, para aproveitar sua Netflix e fazer funcionar sua esteira, é gerada através de mágica.
O descolamento da realidade não é exclusividade da entrevistadora do "Roda Vida". Quem não se lembra, há poucos dias, daquela atriz global, no Instagram, pedindo para que seus seguidores ficassem em casa, enquanto, ao fundo, sua empregada doméstica trabalhava?
O grande problema é que essas pessoas, que não fazem o próprio supermercado, que não sabem quanto custa encher o carrinho para a compra do mês, são as "influenciadoras das massas".
Postam em suas redes que "dinheiro não vale mais do que a vida", enquanto bebem vinhos finos e comem canapés; ignorando o fato que a fome também mata (e mais do que o vírus).
Defender a quarentena, agora, é "cool". E qualquer um que discorde é um "fascista", que não valoriza o próximo. O estranho é que estes "intelectuais" ficaram em silêncio por mais de uma década, quando 166 brasileiros, em média, morriam todos os dias, vítimas da violência urbana. Defendiam fervorosamente, aliás, o desarmamento civil; tirando do povo a única chance de defesa, enquanto eram escoltados por seguranças armados.
Ignoram, também, a estimativa de que 50.000 pessoas, em nosso país, estão tendo seus diagnósticos de câncer atrasados pela pandemia. Uma doença que, sabidamente, tem no diagnóstico precoce um fator determinante para a cura.
Desconhecem, ou fingem desconhecer estudos de institutos sérios, como University of Chicago, Oxford, Sorbonne, London City Hall e U.S Bureau of Economic Analysis, que relatam a causalidade entre queda do PIB e aumento de mortes. Não por acaso, nos países mais desenvolvidos a expectativa de vida é tão maior.
A dura custas, em 2019, criamos 800.000 novos empregos. Em 30 dias, extinguimos 9 milhões; que se somarão aos 11 milhões de desempregados que já tínhamos. 20% dos brasileiros em idade produtiva estão fora do mercado. Isso se traduz em um aumento exponencial de violência urbana, violência doméstica, alcoolismo, uso de drogas, depressão, suicídios, doenças cardíacas, entre tantas outras consequências letais.
Estes "comunicadores", que aplaudem o totalitarismo dos prefeitos e governadores contra o povo, são os mesmos que berrariam mais do que bezerros desmamados, se o governo sequer cogitasse a possibilidade de restringir a liberdade de imprensa.
Não se iludam que estão preocupados com o bem estar de qualquer pessoa, senão deles próprios. As "medidas sanitárias", que tanto apoiam, há muito já deixaram de ser uma questão de saúde e se transformaram em uma questão de CONTROLE.
LAVEM AS MÃOS E ABRAM OS OLHOS.
Felipe Fiamenghi - 14/05/2020
"É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês; trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola."
(CAMPOS, Roberto)
terça-feira, 5 de maio de 2020
Como um Brasil socialista poderia combater o Corona-Vírus?
No dia 25 de fevereiro registramos o primeiro caso de corona-vírus, marcando o início da chegada da epidemia a terras brasileiras.
Nestes pouco mais de dois meses, a situação mundial mudou muito, com medidas de isolamento social, queda abrupta da atividade econômica e disseminação rápida do vírus ao redor do mundo.
Conhecido por sua alta taxa de infecção, o vírus migrou de seu epicentro inicial na China, que conteve sua transmissão com medidas agressivas de testagem e quarentena, rumando para Europa e finalmente chegando ao atual epicentro nos Estados Unidos, alcançando a marca oficial de mais de um milhão de infectados em terras estadunidenses e três milhões no mundo.
Por se tratar de um vírus que contamina pelo ar e de pessoa a pessoa, numa situação em que não existem ainda nem vacinas nem tratamentos comprovados, as únicas armas eficazes contra o vírus são a testagem e o isolamento social.
Os testes, se realizados aos milhões e com centenas de milhares todos os dias, como feito no Vietnam, Coréia do Sul e China, permitem que se identifiquem os focos de contaminação e as cadeias de transmissão, controlando os infectados e aqueles com que conviveram, permitindo que o surto seja monitorado. Isto permite que o isolamento seja feito com precisão e, assim, da forma mais eficaz, isolando infectados e impedindo que a disseminação se dê de forma descontrolada.
Juntas, estas medidas permitem que ganhemos tempo para surgimento de vacinas e tratamentos e impedem que o sistema de saúde entre colapso, ou seja, que um número enorme de pessoas adoeçam ao mesmo tempo e, assim, falte leitos e atendimento a todos que precisem.
Na contramão de tais medidas, vemos nosso país alcançar recordes no que diz respeito ao vírus: Somos o país com a maior taxa de infecção entre países pesquisados no mundo (cada infectado transmite para, em média, 3 pessoas); com um dos menores números de testes realizados (dados oficiais apontam que realizamos no total 132 mil testes, o equivalente ao que o Reino Unido testa em um dia) e com uma das maiores subnotificações, ou seja, diferença entre números oficiais e números reais ( 9 em cada 10 casos não são detectados).
Todo este cenário projeta a sombra de um número entre 1 e 2 milhões de mortos por decorrência direta do Covid19, sem levar em conta as mortes indiretas por outras complicações, causadas pelo colapso do sistema de saúde.
Desnecessário dizer que a maior parte destas serão de trabalhadores, pobres, moradores das periferias, por conta das dificuldades de acesso a serviços de saúde, condições sanitárias e condições socioeconômicas. As pesquisas recentes demonstram claramente: o vírus foi trazido pelos mais ricos e hoje os que morrem e adoecem já são os mais pobres.
Neste cenário, confusão e dúvida surgem na população, incentivadas pelo governo de genocidas que atualmente preside o país, através da figura de Bolsonaro. Todo tipo de mentiras e minimização da realidade da doença são feitos, levando a população a embarcar no “carro da morte” da doença.
Não que os governadores estejam fazendo diferente. A disputa entre eles é meramente eleitoral e política feita em cima de cadáveres.
Todos eles cedem a pressão dos empresários, industriais e banqueiros brasileiros que diziam, há algumas semanas, que iriam morrer apenas “7 mil” e que “a economia não pode parar”, exigindo que os trabalhadores voltassem a trabalhar, se amontando nos locais de trabalho e
transportes, acelerando a infecção.
Juntos, Bolsonaro e os governadores parecem apostar numa ação genocida clara: subnotificar o número de infectados e mortos, afinal, se não há testes, não aparecem novos casos, logo, podem dizer que “a situação não é tão ruim” e pressionar para “tudo voltar ao normal”, jogando o povo nos braços do vírus.
Por outro lado, não apenas salários foram cortados, contratos foram suspensos e milhares de demissões aconteceram; nem sequer a miséria de 600 reais chegou a todos que precisam. Já aos bancos, 1,3 trilhões em auxílio foram entregues na primeira semana.
Dessa forma o que aconteceu era inevitável: No final de abril, incentivados pelas mentiras de que o vírus seria uma “gripezinha”, a curva de propagação cresceu tanto quanto diminuiu o isolamento social e qualquer possibilidade de abertura sumiu do horizonte. Pelo contrário, o que vislumbramos agora é o chamado “lockdown”, ou seja, a obrigatoriedade de isolamento total.
Ainda assim, o ritmo das coisas aponta que seremos o próximo epicentro da doença, com o sistema de saúde colapsando neste próximo mês, sendo um dos países em que o vírus causará mais estragos e mortes.
Mas precisaria ser assim? Não existiria uma outra forma de organizar as coisas?
Temos de chamar o problema pelo nome
Em tempos de
crise fica evidente a falência da forma de organizar a economia e a sociedade
que nos domina, chamada de capitalismo.
O Brasil é a prova viva disto.
Todas as particularidades da vida social, política e econômica brasileira apontavam que seríamos um dos mais afetados. Um país com 104 milhões vivendo com 413 reais por mês, com 57 milhões de trabalhadores ou na informalidade ou no desalento/desemprego, com cerca de metade dos brasileiros sem acesso a esgoto, 13 milhões vivendo em favelas e alto número de pessoas vivendo em casas pequenas e aglomeradas, não poderia ver outro resultado.
Entretanto, a preparação e ação dos governos dos patrões não teve nunca o objetivo de proteger os mais pobres e vulneráveis. Pelo contrário: suas ações todas foram para proteger as grandes empresas e grandes bancos, enquanto fazem chantagem com o trabalhador.
“Ou aceita corte de salários, ou são demissões em massa”; “Ou aceita as reformas, ou não tem dinheiro para auxílio” e, assim, seguem as filas enormes, ajudando na infecção, de trabalhadores sem sustento esperando 600 reais ou muitos voltando a vender coisas nas ruas, trens e ônibus, como única fonte de sustento da maioria de trabalhadores informais.
Já aos bancos foram dados trilhões e às grandes empresas isenções de imposto sob matérias primas importadas, isenção de pagamento de INSS, isenção de impostos, possibilidade de demitir sem pagar rescisão contratual ou FGTS, etc.
Nem mesmo as pequenas empresas foram ajudadas. Assim como com os trabalhadores, os governos ofereceram um belo “presente de grego”: “Não tem salário ou verba pra tocar a pequena empresa? Ora, faça um empréstimo!”.
Com isto beneficiam os grandes bancos e já deixam claro o legado da epidemia aos que sobreviverem: todos endividados, trabalhando ou funcionando para pagar juros aos bancos.
Vale dizer, inclusive, que ao invés de baixar, os bancos aumentaram seus juros, fazendo chegarmos a mais de 60 milhões de negativados e um terço de endividados no Brasil.
A realidade é simples: sem salário não existe como o peão manter isolamento. Sem ele e sem testes não existe como saber a situação da epidemia ou controla-la. E o preço a se pagar já aparece: pobres e periféricos mortos, enterrados sem atestado de óbito, sem velório e em valas comuns.
Parece que para estes, esse preço é tranquilo de ser pago. O nome dos nossos inimigos é o capitalismo e seus donos são os grandes capitalistas.
E num “Brasil Comunista”, como seriam as coisas?
Não é difícil perceber que no capitalismo tudo se produz movido por um interesse: o lucro. Não são as necessidades humanas que importam aqui. Apenas aquelas que podem gerar lucro.
Da mesma forma, o que domina na produção de bens e serviços é a “anarquia”. Não existe plano comum de o que e quanto será produzido. Tudo é decidido de acordo com a lucratividade por pouquíssimos – e riquíssimos - bancos e fundos de investimento, muitos deles estrangeiros, que controlam as grandes indústrias e são donos das terras e grandes serviços. Por isso fomos, em geral, pegos de surpresa, sem estoques para lidar com a pandemia.
O comunismo e socialismo tem sido falsificados e distorcidos para servir de espantalho que assusta uma população pobre já amedrontada pelas difíceis condições de vida. Para essa “malhação do judas” se unem empresários, bolsonaristas, pastores e todo tipo de explorador da miséria do povo. E porque fazem isto?
Não será porque são estas ideias que oferecem uma resposta que beneficia o povo e, assim, ameaça a concentração de riqueza que estes arrancam deste povo?
Por exemplo:
Hoje no Brasil não faltam apenas testes, apesar de universidades como USP e Unicamp terem desenvolvido métodos de produção baratos e rápidos, tornando possível sejam produzidos nacionalmente e em massa. Também os chamados “EPI’’s”, como luvas, máscaras, coletes, são escassos, como cerca de 50% dos médicos denunciam. A quantidade de respiradores, essenciais para manter vivos os que desenvolvem falta de ar, é enorme também.
Num Brasil socialista, o Estado, que só poderia sair de uma revolução feita pelos debaixo, trabalhadores e pobres das cidades e interior, tomaria o controle de toda a grande propriedade.
Não, não estamos falando da sua escova de dente ou seu Iphone e também não falamos da sua lojinha de capinhas de celular ou o bar da esquina. Falamos das grandes mineradoras, das grandes porções de terra nas mãos de multinacionais, das fábricas de veículos, dos grandes bancos e seu capital e das gigantes redes de comércio.
Hoje, em meio a crise epidêmica, temos um cenário inacreditável: a capacidade ociosa, ou seja, a capacidade de produção da grande indústria brasileira que não é usada, é a maior em 20 anos!
O setor de produção de veículos conta com 65 fábricas e, nestes meses, 64 ou pararam ou usam menos de 1/3 da capacidade produtiva. Estas fábricas juntas podem produzir 5 milhões de carros em um ano!
Porque raios não são reorganizadas para produzir em massa milhões de respiradores baratos como os, também, pesquisados pelas Universidades?
O setor de vestuário teve uma queda vertiginosa na produção, usando hoje apenas 25% da sua capacidade produtiva! Justamente as fabricas que podem fazer aventais, coletes, máscaras, luvas aos milhões, sem grandes transformações em sua estrutura de produção estão paradas, como se não houvesse necessidade destes bens!
Num Brasil socialista, as necessidades da população seriam o motor da economia e a “anarquia” não dominaria a produção:
- Nessa situação todas as mineradoras colocariam sua extração a serviço não de exportar para lucro, mas de buscar insumos necessários a produção de bens industrializados para combater o vírus.
- As grandes porções de terra produziriam alimentos vendidos barato nas cidades e produziriam em massa bens agrícolas e insumos necessários a indústria de combate ao vírus.
- Todas as grandes fábricas automotivas e de vestuário seriam reorganizadas para produzir milhões de respiradores e centenas de milhões de luvas, máscaras e aventais.
- Controlando o sistema financeiro, bancos e o crédito, o Estado não endividaria sua população em meio a ameaça de morte: Ofereceria crédito barato para os pequenos negócios essenciais continuarem funcionando e subsidiaria com salários dignos os trabalhadores para que pudessem ficar em isolamento o tempo necessário.
- Todos os grandes complexos hospitalares seriam colocados a disposição do público, com leitos privados sendo estatizados e colocados a serviço das necessidades coletivas.
- Com o monopólio do comércio exterior nas mãos do Estado socialista, os bilhões que viessem do comércio internacional seriam colocados a serviço do plano: Dezenas de milhares de leitos de UTI seriam produzidos, bilhões seriam investidos na pesquisa de tratamentos sérios, vacinas e equipamentos de proteção e respiradores.
Tudo isto, é claro, só poderia vir de uma sociedade socialista construída e controlada pela forma mais democrática já vista pela humanidade:
A auto-organização direta, composta por representantes eleitos e revogáveis diretamente pelos trabalhadores e pobres em cada local de trabalho, nos bairros e cidades, algo totalmente diferente desta democracia falsa, que é uma democracia para os ricos e uma ditadura para os pobres, em que dominam os empresários através dos “políticos profissionais’ que só defendem os seus interesses econômicos.
Seria também distinta, é claro, de modelos socialistas anteriores que, por suas particularidades, degeneraram e se transformaram em ditaduras burocráticas, nas quais o poder político dos trabalhadores foi tomado por uma casta social que usa a bandeira comunista para confundir e manter seus privilégios materiais.
Organizados desta forma, os trabalhadores teriam as ferramentas diretas para atuar politicamente, controlar seus representantes e seriam capazes de definir com clareza suas necessidades, as quais seriam as bases do plano econômico de combate a crise e manutenção de suas vidas.
Num Brasil Socialista, haveria democracia e - porque não? – muitos partidos para os trabalhadores debaterem as melhores políticas para a crise, em base a uma sociedade em que a grande propriedade privada, a acumulação de capital e a grande exploração do trabalho alheio fossem proibidas.
Neste cenário, é claro, diriam aqueles patrões que trouxeram a doença ao país e hoje se escondem em suas casas na praia, condomínios e bunkers: “Seria uma ditadura para nós!”.
Precisamente. E pela primeira vez na América do Sul, veríamos um governo das maiorias trabalhadoras, trilhando o caminho da transição ao socialismo e, com isto, lançando uma nova onda de transformações revolucionárias nos demais países do mundo, rumando para a sociedade comunista, sem classes.
Ao responder isto, os capitalistas nos dão uma ótima lição: Da mesma forma como compreendem o que seria uma ditadura da maioria trabalhadora contra eles, uma minoria exploradora do trabalho alheio, temos de compreender o que é e a necessidade de nos libertar desta atual ditadura de patrões, maquiada e protegida.
É só isto o que nos impede de abrir as portas para um novo mundo. E este mundo, nesta crise, se mostra não apenas possível, mas absolutamente necessário.
Fontes:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/coronavirus-pesquisa-mostra-que-50-dos-medicos-acusam-falta-de-epi
https://oglobo.globo.com/economia/com-coronavirus-industria-tem-maior-nivel-de-ociosidade-em-quase-20-anos-24409871
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/nove-em-cada-dez-casos-de-covid-19-nao-sao-detectados-no-brasil-diz-estudo.shtml
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/05/04/endividamento-se-acentua-e-pode-ser-um-dos-legados-da-crise-do-coronavirus.ghtml
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52509734
O Brasil é a prova viva disto.
Todas as particularidades da vida social, política e econômica brasileira apontavam que seríamos um dos mais afetados. Um país com 104 milhões vivendo com 413 reais por mês, com 57 milhões de trabalhadores ou na informalidade ou no desalento/desemprego, com cerca de metade dos brasileiros sem acesso a esgoto, 13 milhões vivendo em favelas e alto número de pessoas vivendo em casas pequenas e aglomeradas, não poderia ver outro resultado.
Entretanto, a preparação e ação dos governos dos patrões não teve nunca o objetivo de proteger os mais pobres e vulneráveis. Pelo contrário: suas ações todas foram para proteger as grandes empresas e grandes bancos, enquanto fazem chantagem com o trabalhador.
“Ou aceita corte de salários, ou são demissões em massa”; “Ou aceita as reformas, ou não tem dinheiro para auxílio” e, assim, seguem as filas enormes, ajudando na infecção, de trabalhadores sem sustento esperando 600 reais ou muitos voltando a vender coisas nas ruas, trens e ônibus, como única fonte de sustento da maioria de trabalhadores informais.
Já aos bancos foram dados trilhões e às grandes empresas isenções de imposto sob matérias primas importadas, isenção de pagamento de INSS, isenção de impostos, possibilidade de demitir sem pagar rescisão contratual ou FGTS, etc.
Nem mesmo as pequenas empresas foram ajudadas. Assim como com os trabalhadores, os governos ofereceram um belo “presente de grego”: “Não tem salário ou verba pra tocar a pequena empresa? Ora, faça um empréstimo!”.
Com isto beneficiam os grandes bancos e já deixam claro o legado da epidemia aos que sobreviverem: todos endividados, trabalhando ou funcionando para pagar juros aos bancos.
Vale dizer, inclusive, que ao invés de baixar, os bancos aumentaram seus juros, fazendo chegarmos a mais de 60 milhões de negativados e um terço de endividados no Brasil.
A realidade é simples: sem salário não existe como o peão manter isolamento. Sem ele e sem testes não existe como saber a situação da epidemia ou controla-la. E o preço a se pagar já aparece: pobres e periféricos mortos, enterrados sem atestado de óbito, sem velório e em valas comuns.
Parece que para estes, esse preço é tranquilo de ser pago. O nome dos nossos inimigos é o capitalismo e seus donos são os grandes capitalistas.
E num “Brasil Comunista”, como seriam as coisas?
Não é difícil perceber que no capitalismo tudo se produz movido por um interesse: o lucro. Não são as necessidades humanas que importam aqui. Apenas aquelas que podem gerar lucro.
Da mesma forma, o que domina na produção de bens e serviços é a “anarquia”. Não existe plano comum de o que e quanto será produzido. Tudo é decidido de acordo com a lucratividade por pouquíssimos – e riquíssimos - bancos e fundos de investimento, muitos deles estrangeiros, que controlam as grandes indústrias e são donos das terras e grandes serviços. Por isso fomos, em geral, pegos de surpresa, sem estoques para lidar com a pandemia.
O comunismo e socialismo tem sido falsificados e distorcidos para servir de espantalho que assusta uma população pobre já amedrontada pelas difíceis condições de vida. Para essa “malhação do judas” se unem empresários, bolsonaristas, pastores e todo tipo de explorador da miséria do povo. E porque fazem isto?
Não será porque são estas ideias que oferecem uma resposta que beneficia o povo e, assim, ameaça a concentração de riqueza que estes arrancam deste povo?
Por exemplo:
Hoje no Brasil não faltam apenas testes, apesar de universidades como USP e Unicamp terem desenvolvido métodos de produção baratos e rápidos, tornando possível sejam produzidos nacionalmente e em massa. Também os chamados “EPI’’s”, como luvas, máscaras, coletes, são escassos, como cerca de 50% dos médicos denunciam. A quantidade de respiradores, essenciais para manter vivos os que desenvolvem falta de ar, é enorme também.
Num Brasil socialista, o Estado, que só poderia sair de uma revolução feita pelos debaixo, trabalhadores e pobres das cidades e interior, tomaria o controle de toda a grande propriedade.
Não, não estamos falando da sua escova de dente ou seu Iphone e também não falamos da sua lojinha de capinhas de celular ou o bar da esquina. Falamos das grandes mineradoras, das grandes porções de terra nas mãos de multinacionais, das fábricas de veículos, dos grandes bancos e seu capital e das gigantes redes de comércio.
Hoje, em meio a crise epidêmica, temos um cenário inacreditável: a capacidade ociosa, ou seja, a capacidade de produção da grande indústria brasileira que não é usada, é a maior em 20 anos!
O setor de produção de veículos conta com 65 fábricas e, nestes meses, 64 ou pararam ou usam menos de 1/3 da capacidade produtiva. Estas fábricas juntas podem produzir 5 milhões de carros em um ano!
Porque raios não são reorganizadas para produzir em massa milhões de respiradores baratos como os, também, pesquisados pelas Universidades?
O setor de vestuário teve uma queda vertiginosa na produção, usando hoje apenas 25% da sua capacidade produtiva! Justamente as fabricas que podem fazer aventais, coletes, máscaras, luvas aos milhões, sem grandes transformações em sua estrutura de produção estão paradas, como se não houvesse necessidade destes bens!
Num Brasil socialista, as necessidades da população seriam o motor da economia e a “anarquia” não dominaria a produção:
- Nessa situação todas as mineradoras colocariam sua extração a serviço não de exportar para lucro, mas de buscar insumos necessários a produção de bens industrializados para combater o vírus.
- As grandes porções de terra produziriam alimentos vendidos barato nas cidades e produziriam em massa bens agrícolas e insumos necessários a indústria de combate ao vírus.
- Todas as grandes fábricas automotivas e de vestuário seriam reorganizadas para produzir milhões de respiradores e centenas de milhões de luvas, máscaras e aventais.
- Controlando o sistema financeiro, bancos e o crédito, o Estado não endividaria sua população em meio a ameaça de morte: Ofereceria crédito barato para os pequenos negócios essenciais continuarem funcionando e subsidiaria com salários dignos os trabalhadores para que pudessem ficar em isolamento o tempo necessário.
- Todos os grandes complexos hospitalares seriam colocados a disposição do público, com leitos privados sendo estatizados e colocados a serviço das necessidades coletivas.
- Com o monopólio do comércio exterior nas mãos do Estado socialista, os bilhões que viessem do comércio internacional seriam colocados a serviço do plano: Dezenas de milhares de leitos de UTI seriam produzidos, bilhões seriam investidos na pesquisa de tratamentos sérios, vacinas e equipamentos de proteção e respiradores.
Tudo isto, é claro, só poderia vir de uma sociedade socialista construída e controlada pela forma mais democrática já vista pela humanidade:
A auto-organização direta, composta por representantes eleitos e revogáveis diretamente pelos trabalhadores e pobres em cada local de trabalho, nos bairros e cidades, algo totalmente diferente desta democracia falsa, que é uma democracia para os ricos e uma ditadura para os pobres, em que dominam os empresários através dos “políticos profissionais’ que só defendem os seus interesses econômicos.
Seria também distinta, é claro, de modelos socialistas anteriores que, por suas particularidades, degeneraram e se transformaram em ditaduras burocráticas, nas quais o poder político dos trabalhadores foi tomado por uma casta social que usa a bandeira comunista para confundir e manter seus privilégios materiais.
Organizados desta forma, os trabalhadores teriam as ferramentas diretas para atuar politicamente, controlar seus representantes e seriam capazes de definir com clareza suas necessidades, as quais seriam as bases do plano econômico de combate a crise e manutenção de suas vidas.
Num Brasil Socialista, haveria democracia e - porque não? – muitos partidos para os trabalhadores debaterem as melhores políticas para a crise, em base a uma sociedade em que a grande propriedade privada, a acumulação de capital e a grande exploração do trabalho alheio fossem proibidas.
Neste cenário, é claro, diriam aqueles patrões que trouxeram a doença ao país e hoje se escondem em suas casas na praia, condomínios e bunkers: “Seria uma ditadura para nós!”.
Precisamente. E pela primeira vez na América do Sul, veríamos um governo das maiorias trabalhadoras, trilhando o caminho da transição ao socialismo e, com isto, lançando uma nova onda de transformações revolucionárias nos demais países do mundo, rumando para a sociedade comunista, sem classes.
Ao responder isto, os capitalistas nos dão uma ótima lição: Da mesma forma como compreendem o que seria uma ditadura da maioria trabalhadora contra eles, uma minoria exploradora do trabalho alheio, temos de compreender o que é e a necessidade de nos libertar desta atual ditadura de patrões, maquiada e protegida.
É só isto o que nos impede de abrir as portas para um novo mundo. E este mundo, nesta crise, se mostra não apenas possível, mas absolutamente necessário.
Fontes:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/coronavirus-pesquisa-mostra-que-50-dos-medicos-acusam-falta-de-epi
https://oglobo.globo.com/economia/com-coronavirus-industria-tem-maior-nivel-de-ociosidade-em-quase-20-anos-24409871
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/nove-em-cada-dez-casos-de-covid-19-nao-sao-detectados-no-brasil-diz-estudo.shtml
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/05/04/endividamento-se-acentua-e-pode-ser-um-dos-legados-da-crise-do-coronavirus.ghtml
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52509734
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